Raphaela Cordeiro
Algumas famílias estão há dois anos vivendo o dia 15 de fevereiro de 2022. Muitas delas, por conta da saudade. A tragédia daquele dia vitimou 235 pessoas em diferentes regiões de Petrópolis. Entre elas, Lucas Rufino, de 21 anos e Heitor Carlos Dos Santos, de 61 anos. Ambos permanecem desaparecidos e sem identificação.
Lucas vivia com a família no Morro da Oficina, no alto da serra. Ele, a mãe e a irmã morreram no deslizamento que aconteceu na região que vitimou, no total, 93 pessoas. Da família, o único que conseguiu se salvar, foi Adalto Rufino, pai de Lucas. Em uma entrevista concedida à TV Correio da Manhã, no ano de 2023, Adalto contou que chegou a ver o corpo do filho ainda no morro da oficina, mas que depois, o corpo não foi encontrado no instituto médico legal. Lucas Rufino aparece no portal de desaparecidos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Uma outra vítima que permanece desaparecida é Heitor Carlos dos Santos, que estava em um dos ônibus que foram arrastados pelo Rio Quitandinha durante a chuva. Dois ônibus da empresa Petro Ita, que faziam as linhas 401 – Independência e 465 – Amazonas, foram arrastados pela correnteza. Em vídeos que circularam nas redes sociais foi possível ver alguns passageiros tentando sair dos veículos, entre eles, Gabriel Vila Real da Rocha, que aparece tentando ajudar outras pessoas a saírem dos coletivos.
“Quando eu recebi as mensagens e os vídeos dizendo que era o meu filho que estava ajudando as pessoas a saírem do ônibus eu fiquei sem acreditar. Mas eu o reconheci pelo cabelo e pela roupa e pensei: É o Gabriel… assim que a chuva parou, eu imediatamente saí de casa em busca do meu filho. Ficamos noites sem dormir procurando uma resposta”, disse o pai de Gabriel, Leandro da Rocha.
Depois de horas sem notícias, Leandro decidiu participar ativamente nas buscas pelo filho. Em cinco dias de buscas, um tênis de Gabriel foi encontrado pelo pai, no início da Rua Coronel Veiga. Cães farejadores também atuaram nas buscas pelas vítimas. O corpo de Gabriel só foi encontrado sete dias após as chuvas.
Uma outra vítima que também estava nos ônibus arrastados pelo rio quitandinha era Pedro Henrique, de apenas 8 anos, que só foi encontrado e identificado pela polícia civil em setembro de 2022. A identificação ocorreu por meio de exame de DNA. O corpo dele foi encontrado em março de 2022, no Rio Piabanha, na altura do distrito da Posse. Apesar disso, o resultado do exame só saiu cinco meses depois, em setembro daquele ano.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o volume pluviométrico que caiu, em 24 horas, foi o maior registrado em Petrópolis desde o início das medições, em 1932. Em três horas, choveu mais do que o esperado para o mês de fevereiro inteiro. Na época, o instituto afirmou ainda que não houve um deslocamento de nuvens que pudesse servir de alerta para a meteorologia: o temporal se formou em cima de Petrópolis e, por conta do relevo, ficou preso sobre a cidade, despejando 259 milímetros de água em menos de uma tarde.