Um coletivo da Viação Petro Ita, que atende a linha 404 – Duques, caiu de um barranco na manhã desta terça-feira (11). O acidente aconteceu no Parque São Vicente, no Quitandinha. Embora a Petro Ita tenha afirmado que a causa do acidente foi falha humana, a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) enfatizou que o caso é uma prova clara de negligência e falta de responsabilidade da empresa. Ainda de acordo com a CPTrans, o veículo foi reprovado na vistoria que apontou múltiplas irregularidades em 87% da frota dos ônibus. De acordo com o Corpo de Bombeiros não houve feridos.
No dia 31 de maio deste ano, a CPTrans apresentou que reprovou 87% da frota de ônibus que estão em operação pela Viação Petro Ita. Ainda de acordo com a nota da Companhia, entre 2022 e os primeiros meses de 2024 foram aplicadas mais de R$1,6 milhões em multas nas Viações Cascatinha e Petro Ita, sendo quase cinco mil infrações registradas. Entretanto, nenhuma outra medida foi apresentada para evitar a circulação desses coletivos reprovados. Já nesta terça-feira (11), um coletivo que atende a região do Quitandinha, caiu de um barranco, permanecendo com mais da metade da carroceria para fora via.
De acordo com a CPTrans, o veículo em questão foi reprovado nesta última vistoria realizada na frota. Ao consultar resultado de vistorias entre abril de 2022 e janeiro deste ano, o coletivo foi aprovado com restrição em três delas (abril/22, agosto/23 e janeiro/24), reprovado em duas (setembro/22 e abril/23) e não foi vistoriado em dezembro de 2023.
A Viação Petro Ita ainda informou que o coletivo foi adquirido zero quilômetro, com o ano de fabricação 2021. No entanto, ao consultar a placa no site do Detran-RJ (órgão fiscalizador do trânsito de veículos terrestres no Estado), o veículo está com o licenciamento atrasado desde o ano de 2021, ou seja, nunca foi pago.
Petição no MPRJ
Há uma petição no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), datada no dia 17 de maio, pedindo a anulação do contrato com a Petro Ita. Nela também há um pedido de condenação à CPTrans para a obrigação de exercer permanentemente o poder de polícia, retirando ou impedindo a circulação de ônibus reprovados nas vistorias por questões de segurança.
“O Município de Petrópolis, ora réu, sabedor da imprestabilidade do serviço ofertado e do risco de dano à coletividade, permanece inerte, apático, paralisado, sem tomar nenhuma medida para solucionar o problema. Tampouco a CPTrans, ente responsável pela fiscalização do serviço, como visto, toma qualquer providência. Pior: reprova os veículos que não têm condições de segurança e permite que os mesmos sigam rodando. É um salve-se quem puder. Resta claro, portanto, que medidas mais efetivas precisam ser tomadas, a fim de resguardar, não somente a qualidade do serviço público, mas, também, a vida e segurança de todos”, afirma o documento do MPRJ.
Por Gabriel Rattes/Foto: reprodução