Um dos pontos foi a elaboração de prognósticos climáticos a cada início de estação | Foto: Ascom/CMP
Por Gabriel Rattes
A Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Petrópolis apresentou, nesta quinta-feira (27), na Câmara Municipal de Petrópolis, o relatório do terceiro quadrimestre de 2024. Durante a apresentação, a diretora de monitoramento, Eduarda Conde Bastos, destacou as principais ações do órgão, incluindo a elaboração de prognósticos climáticos a cada início de estação, essenciais para a prevenção de riscos. Outro ponto de destaque foi o treinamento do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), que capacitou técnicos da Prefeitura, Defesa Civil e Secretaria de Obras na identificação e mapeamento de áreas de risco. Estiveram presentes os vereadores Léo França, Júlia Casamasso, Carlos Alberto, Wesley Barreto e Octavio Sampaio, o secretário de Defesa Civil, Guilherme Moraes, além de outros representantes do órgão e lideranças comunitárias.
Eduarda Bastos iniciou a apresentação do relatório com as metas da Defesa Civil para o próximo trimestre, foram elas: inovação tecnológica para monitoramento contínuo, pesquisa e desenvolvimento da cultura para prevenção de desastres, preparação e atendimento de resposta em situações excepcionais, reestruturação dos núcleos de Defesa Civil e Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Inovação tecnológica para monitoramento contínuo
Dentre as inovações tecnológicas para o monitoramento contínuo da Defesa Civil, foi apresentado o Prognóstico Verão. A cada início de estação, o Departamento de Monitoramento da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil elabora e divulga um prognóstico climático para o período. A prática integra-se às diretrizes da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Todos os documentos elaborados são disponibilizados no site oficial da Prefeitura de Petrópolis. Outra categoria disponível no portal são os relatórios técnicos de eventos meteorológicos. Servem como fonte de informação para diversos atores envolvidos na gestão de riscos da cidade, incluindo órgãos não governamentais, instituições de pesquisa e a sociedade em geral.
“Desde o ano passado nós temos feito relatórios técnicos para cada evento chuvoso. No verão acaba sendo mais difícil por ter ocorrência de chuvas diárias, mas sempre que temos um sistema diferente, uma frente fria, ou qualquer outro tipo de chuva, a gente busca fazer um relatório. Ele apresenta condições temporais, o que ocasionou a chuva, a maneira que a Defesa Civil atuou, índices pluviométricos, se tivemos ocorrência – tanto de risco geológico ou estrutural – e ocorrências de inundação”, apontou a diretora de monitoramento da Defesa Civil.
Também foi mencionada a colaboração com o Comitê Piabanha em um projeto de micro e macro drenagem, que deve entrar em execução no segundo semestre de 2025, contribuindo para a segurança da população. Outro ponto de destaque foi o treinamento do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), que capacitou técnicos da Prefeitura, Defesa Civil e Secretaria de Obras na identificação e mapeamento de áreas de risco. Durante a capacitação, foram abordados a metodologia utilizada na elaboração do PMRR, os mapeamentos de base aplicados e os critérios técnicos para identificação e mapeamento de áreas de risco.
Dentro da mesma meta, foi apresentada uma parceria realizada com a Faculdade de Medicina de Petrópolis (Unifase), através do projeto “Comunidade que Cuida da Vida”. Foram realizadas entregas de computadores para prosseguimento das atividades relacionadas à composição e adequação de dados com finalidade de utilização de ferramentas de geoprocessamento. Os computadores foram doados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Outra ação foi a sensibilização de alunos selecionados com foco na apresentação da secretaria, das pautas e dos objetivos do projeto.
Cultura para prevenção de desastres
Quanto à cultura de prevenção a desastres naturais, foi apresentado o Programa Escola Resiliente, que tem o foco de promover o fortalecimento da gestão de risco dentro das escolas, envolvendo estudantes, professores, diretores e funcionários. A estratégia central do programa se baseia na pergunta: “Como estimular o jovem a participar ativamente no gerenciamento de risco no ambiente escolar?”. Para responder a questão, o programa utiliza três fundamentos: pertencimento, protagonismo e cooperação.
Outra medida apresentada são as oficinas do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF). Tem o objetivo de provocar a reflexão sobre um tema de interesse das famílias no âmbito da Assistência, propiciando o acesso à informação, a problematização e reflexão crítica das situações vividas em seu território. Foram realizadas rodas de conversa visando compartilhar informações sobre autoproteção, orientações gerais sobre áreas de risco de inundação/deslizamento, alerta e alarme e a importância de não ocupar imóveis interditados. Essas rodas de conversa também foram realizadas com a população em situação de rua.
Nos dias 27 e 28 de novembro de 2024, foi realizada a III Conferência Municipal de Proteção e Defesa Civil, no Instituto Teológico Franciscano. O evento reuniu diversas instituições, representantes da sociedade civil e poder público e especialistas para debater ações voltadas à segurança da comunidade e à gestão de riscos e desastres em Petrópolis. Já em janeiro de 2025, foi realizada uma reunião de alinhamento com o Centro de Monitoramento de Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ).
Resposta em situações
excepcionais
No que se refere ao Plano de Contingência para Chuvas Intensas, a Defesa Civil atualizou mapas de ocorrências de chuvas e descargas elétricas, realizou estudos sobre risco hidrológico e implementou o Cell Broadcast, sistema de alerta sonoro para regiões de risco. Também foi incluído um novo ponto de apoio no bairro Corrêas, na Escola Municipal Hercília Henriques Moret.
A reestruturação dos Núcleos de Defesa Civil também foi abordada, com a entrega de equipamentos em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e visitas de campo para avaliação das necessidades de intervenção.
Liderança comunitária
A liderança comunitária também teve espaço no debate. A presidente da Associação de Moradores da Comunidade São João Batista, Viviane Marques, ressaltou a importância da interação entre a comunidade e a Defesa Civil, enquanto a advogada Débora Pena destacou a Lei 8797/2024, que institui a política municipal de pontos de apoio, tornando Petrópolis referência na prevenção de desastres. Ela ainda solicitou a apreciação e aprovação da Política Municipal de Proteção e Defesa Civil, protocolada na Câmara pela vereadora Júlia Casamasso.
Ao final da audiência, o secretário Guilherme Moraes reforçou a importância da proximidade com a comunidade e da atuação preventiva para minimizar riscos e desastres naturais na cidade.