Por: Bernardo Filho*
A manipulação da memória política, sempre foi uma estratégia recorrente. É fascinante, mas também preocupante, a maneira com que as narrativas são manipuladas, moldadas, reescritas e transformadas ao bel prazer dos interesses de quem esteja ocupando o poder.
Quando falamos de memória política , estamos lidando com uma construção social complexa, onde o que não é lembrado e/ou foi distorcido, tem o poder de moldar o presente.
O vínculo entre governantes e governados é bastante frágil, a confiança é dada na exata proporção dos interesses individuais. Quando as relações entre os políticos são precárias e mutáveis ao sabor dos ventos, imagine as relações de um político para com seu eleitor e tenha presente, se com um eleitor seu, já é difícil, para com um desafeto político, é ausência total de empatia.
Uma crítica ou uma frase mal colocada são suficientes para gerar um desafeto político.
Talvez, um dia, haja o perdão, mas nunca o esquecimento.
O que nos lembra uma frase do folclore político: “a política perdoa a traição, mas nunca o traidor” .
Muitas vezes um gestor em um município de pequeno ou médio porte, afasta de si , pessoas que poderiam ajudá-lo, mas o fato de na maioria das vezes serem centralizadores e com um ego maior do que a Cidade, não aceitam críticas (mesmo as construtivas) , sugestões ou ideias que não tenham partido de suas próprias cabeças.
Petrópolis vive um momento de observação: a população estuda e aguarda o final dos primeiros 100 dias do novo governo e o novo governo estuda sua Cidade, realizando pequenas intervenções pontuais; mas os munícipes aguardam por uma gestão mais vigorosa, que é o que se espera depois de 20 anos de marasmo, estagnação e retrocessos.
Talvez o perdão seja uma ótima oportunidade, para começar a partir do centésimo primeiro dia.
*Advogado, Professor Universitário e Jornalista