Mesmo sendo um dos principais polos econômicos e turísticos de Petrópolis, Itaipava segue enfrentando problemas estruturais por conta da distância do Centro Histórico, onde está concentrado o núcleo administrativo da Prefeitura. A falta de atenção se reflete em diversas áreas — de transporte e saúde até a ausência de agentes de trânsito — e agora volta ao debate diante de falhas na fiscalização de obras particulares.
A polêmica mais recente envolve a construção de um supermercado na Estrada União e Indústria. O empreendimento, que deveria, de acordo com orientações da prefeitura, ter previsto um recuo de calçada e uma baia para ônibus em frente à loja, deixou de realizar as adequações necessárias. Com isso, os coletivos que passam pelo local são obrigados a parar no meio da via, provocando retenções em uma das principais estradas do distrito. O problema afeta tanto a sociedade, com mais congestionamentos, o que se traduz em perdas financeiras e de qualidade de vida quanto o próprio empreendimento, que terá de refazer parte da obra e arcar com novos custos.
Para a Unidos por Itaipava (Unita), associação formada por empresários e moradores que atua em prol da mobilidade urbana e da qualidade de vida no distrito, o episódio evidencia a ausência de presença efetiva por parte da Prefeitura não apenas na fiscalização de obras, mas no dia a dia do distrito em todas as necessidades básicas de ordenamento urbano e serviços à população.
Dados da própria Prefeitura mostram que o desafio não é pontual. O Núcleo de Fiscalização de Obras Particulares (Nufic) recebe em média mais de 50 denúncias por mês, mas conta com apenas sete fiscais para cobrir toda a cidade. Em 2019, a gestão chegou a anunciar a convocação de sete concursados para reforçar o setor, mas mesmo com esse número dobrando, ainda é considerado insuficiente para atender à demanda de um município do porte de Petrópolis.
“É incompreensível que uma obra de grande porte tenha avançado sem que a fiscalização observasse uma irregularidade tão evidente. O resultado é prejuízo para todos: para a sociedade, que convive com um trânsito ainda mais complicado, e para o próprio empreendimento, que terá de refazer parte da obra para se adequar às exigências”, afirma o presidente da Unita, Alexandre Plantz.
A associação questiona ainda por que o problema não foi identificado durante a execução da obra, quando seria possível embargar e corrigir as falhas antes da inauguração. “Agora, além de lidar com o impacto no trânsito, a comunidade terá de enfrentar um novo período de transtornos enquanto o supermercado realiza as adaptações”, reforça Plantz.
Desigualdade na distribuição de recursos públicos entre o Centro Histórico e Itaipava
O secretário da Unita, Fabricio Santos, ressalta que o caso ilustra um problema maior: a desigualdade na distribuição de recursos públicos entre o Centro Histórico e Itaipava. “Não se trata apenas da obra de um supermercado. É preciso que Itaipava receba o mesmo nível de atenção e serviços que o Centro. Se há agentes de trânsito no Centro Histórico, também é necessário que haja em Itaipava. Se existe fiscalização de obras lá, aqui também tem que haver. A população do distrito é numerosa, gera receita e movimenta a economia, mas continua sem o suporte adequado”, avalia.
Além de cobrar medidas imediatas para corrigir a situação da baia de ônibus, a Unita defende que a Prefeitura estruture equipes permanentes de fiscalização para atuar no distrito. A associação também reforça que a falta de planejamento e acompanhamento de obras tem impacto direto na mobilidade urbana, um dos principais gargalos de Itaipava, onde o fluxo de veículos cresce a cada ano com a chegada de novos empreendimentos comerciais e residenciais.
Com comércio expressivo e forte presença no setor de serviços e reconhecida vocação turística, Itaipava tem papel estratégico para o desenvolvimento de Petrópolis. Para a Unita, assegurar igualdade de atenção administrativa entre o distrito e o Centro Histórico é um passo essencial para que esse potencial seja plenamente aproveitado.
“Não somos contra o desenvolvimento, ao contrário. A Unita defende a expansão dos negócios e a geração de empregos em Itaipava. Mas isso precisa ser feito de forma organizada, com o poder público garantindo as condições de infraestrutura necessárias para que a cidade cresça sem comprometer a qualidade de vida”, completa Alexandre Plantz.