Por Hugo Petersen e Gabriel Rattes
Petrópolis é conhecida nacionalmente por seu legado histórico, pelos palácios, museus e paisagens que ajudam a contar a história do Brasil. No entanto, muito além dos pontos turísticos, a cidade imperial é formada por pessoas comuns que, no dia a dia, ajudam a construir a identidade local.
São comerciantes, esportistas e trabalhadores que, com gestos simples, presença constante e carisma, acabam se tornando figuras conhecidas da população. Eles não estão nos livros de história, mas fazem parte da memória afetiva de quem vive e circula pela cidade.
Nesta matéria especial, o Correio Petropolitano apresenta alguns desses personagens que se transformaram em verdadeiros ícones do cotidiano.
Tradição diária
Um desses nomes é Fábio Laranja, comerciante e um dos proprietários do tradicional Bar Pipas Laranja, localizado no Edifício Vitrine, no Centro de Petrópolis. O estabelecimento funciona há mais de cinco décadas e faz parte da rotina de moradores, trabalhadores e visitantes que passam pela região diariamente.

Conhecido pelo jeito brincalhão no atendimento e pela comida que já virou tradição, Fábio recebe clientes de diferentes bairros e até de outras cidades, muitos deles fiéis há anos.
“É um bar que vem de família. Meu pai uniu todos os filhos aqui, os cinco. A gente tenta agradar todo mundo há muito tempo, porque os clientes são quem constroem esse bar. Já são 52 anos aqui em Petrópolis, e isso é muito importante pra gente”, conta Fábio.
A história do bar se confunde com a da própria família. Desde a fundação, os Laranja participam do café da manhã e do almoço de mais de cem pessoas todos os dias, mantendo uma relação próxima com os clientes e ajudando a preservar um tipo de comércio cada vez mais raro nos centros urbanos.
“Geralmente, quem vem uma vez, vem várias. Tem cliente que vem aqui há trinta, quarenta anos. O filho acompanha o pai. Isso é muito importante, porque o que sustenta um comércio são os clientes. A gente faz de tudo por eles”, explica.
Atualmente, o bar serve cerca de cem almoços por dia, além do café da manhã, começando o atendimento às 7h. “As pessoas que frequentam aqui deixam de ser só clientes e viram amigos. A gente conversa, brinca, troca ideia sobre a vida. Sem os clientes, a gente não é nada. Isso é importante demais”, reforçou.
Esporte e saúde
Outro exemplo de personagem marcante do cotidiano petropolitano é Vera Bull de 78 anos, conhecida como Dona Verinha. Ao lado do marido, o conhecido Seu Nonô, ela se tornou um dos principais símbolos do esporte amador na cidade.
O casal é presença constante nas ruas, caminhadas e corridas, incentivando a prática de atividade física e mostrando que idade não é limite para uma vida ativa. O reconhecimento veio de forma natural, com cumprimentos, acenos e palavras de carinho de quem cruza com o casal.

“Às vezes as pessoas falam: ‘eu já vi vocês na televisão, vejo vocês correndo’. Isso deixa a gente muito feliz, porque a gente pode passar coisas boas pras pessoas. Acaba promovendo o esporte, outras pessoas querendo acompanhar essa rotina”, relata.
Esse carinho já ultrapassou o círculo de amigos e conhecidos. Recentemente, o casal foi surpreendido por um gesto simples, mas cheio de significado, vindo de um motorista de ônibus da cidade, reforçando o quanto eles se tornaram figuras queridas da população.
“A gente viajou essa semana para Lagoa Santa. Paramos num posto depois de Santos Dumont e vieram pessoas falar com a gente: ‘não, a gente já correu junto’. Então isso é muito importante. A gente diz que tem amigos no mundo inteiro, porque onde chega, encontra amigos”, conta.
A ligação do casal com a corrida começou de forma simples, mas mudou completamente o estilo de vida dos dois. “Ele começou a correr e eu ficava esperando. Aí eu falei: ‘eu vou também’. A primeira vez foi uma meia maratona no Rio. Eu nem tinha feito inscrição, mas fui. Ele corria um pouco, me esperava, e naquele dia eu tomei gosto. Ganhei até medalha sem estar inscrita. Daí pra cá, não parei mais”, relembra.
Hoje, os dois correm juntos em diferentes cidades e se tornaram referência de perseverança e saúde.
A Voz do Correio
Quem frequenta o Centro de Petrópolis durante a manhã provavelmente já ouviu a frase: “Olha o Correio!”. A voz é de Marlus Renato, mais conhecido como Mãozinha, que há anos distribui o Correio Petropolitano em diferentes pontos da cidade.
Além de vendedor de jornal, Marlus também atua como cinegrafista na TV Correio da Manhã e acabou se tornando uma “figurinha carimbada” no bom dia de muitos petropolitanos, sendo reconhecido pelo trabalho e pela simpatia.

“Isso é sensacional. Eu só tenho a agradecer à TV, onde estou há muitos anos. Agora, com esse novo viés do Correio Petropolitano, é uma forma da galera conhecer o nosso jornal impresso, que está nas bancas todos os dias”, afirma.
Segundo ele, o trabalho acabou criando uma identificação direta com o público. “Todas as manhãs é ‘olha o Correio!’. Sou eu, o Mãozinha, passando e a galera se ligando. É só agradecer por esses anos todos”, completa.
História Viva
Fábio Laranja, Dona Verinha e Marlus Renato são apenas alguns exemplos das muitas pessoas que ajudam a construir a história viva de Petrópolis. São personagens anônimos, mas essenciais, que fazem parte da rotina, do afeto e da identidade da cidade.
Foto: Arquivo TVC