Órgão do Governo do Estado é um dos mais importantes na produção nacional de antídotos contra picadas de animais peçonhentos
Este ano, o Instituto Vital Brazil (IVB), laboratório do Governo do Estado vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), retomou a fabricação de soros hiperimunes, essenciais no tratamento contra picadas de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões, além dos soros antitetânico e antirrábico. Desde o reinício da produção, já foram fabricadas mais de 25 mil ampolas de soro. A estimativa para 2026 é produzir 150 mil frascos, contribuindo para salvar vidas em todo o país.
O processo de retomada da fabricação se deu após uma ampla reestruturação da fábrica de soros do IVB, que focou na reorganização e na modernização do órgão. Sob a supervisão da SES-RJ desde 2023, os esforços no Instituto visam consolidar a capacidade de produzir soros essenciais para a saúde pública brasileira.
“Os soros hiperimunes são essenciais para toda a rede de saúde do país. Os antídotos produzidos no Instituto Vital Brazil, o único laboratório público do estado do Rio de Janeiro, podem salvar vidas em todos os lugares do Brasil. A retomada foi um marco histórico, que nos gera muito orgulho e garante mais proteção para milhares de pessoas”, ressalta a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
O número de ocorrências de acidentes com animais peçonhentos tem sido monitorado com atenção por técnicos da SES-RJ. Desde 2022, está sendo notado um aumento gradativo no número de acidentes em todo o estado, com o registro de 14.077 casos. Destes 9.587 pessoas foram curadas e 30 faleceram. Em 2022, foram 2.766 casos; em 2023, 3.671; em 2024, 3.766; e, até 10 de dezembro deste ano, já são 3.871 acidentes.
De acordo com o diretor-presidente do IVB, Alexandre Chieppe, as ações em equipe foram fundamentais para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comprovasse que o Instituto está plenamente habilitado para produzir soros com qualidade, segurança e eficácia, atendendo aos padrões estabelecidos para medicamentos biológicos.
“O papel do Instituto Vital Brazil é crucial na produção de soros, pois permite que o Brasil tenha uma quantidade maior do insumo e uma distribuição mais ampla para o atendimento de acidentes com animais peçonhentos, como cobras e escorpiões. Já iniciamos a produção dos soros antiofídico, antiescorpiônico, antirrábico e antitetânico. Para o ano que vem, a meta é produzir 150 mil ampolas, salvando ainda mais vidas”, afirmou o diretor-presidente.
Entenda o processo de produção dos soros hiperimunes
Essenciais para salvar vidas, a produção dos soros hiperimunes no IVB é pautada em segurança e qualidade. O processo se inicia com a obtenção dos antígenos que vêm de venenos de animais de interesses médicos, toxina tetânica ou vírus rábico. Esse material é inoculado nos cavalos que ficam na Fazenda Vital Brazil, em Cachoeiras de Macacu.
Dias depois, quando o sangue produz os anticorpos, ele é extraído dos equinos, tendo o plasma separado do restante. O processo produtivo do soro começa quando esse plasma é enviado ao laboratório do IVB, em Niterói, sendo mantido em câmara fria até a liberação da produção. A etapa seguinte é a purificação. As bolsas de plasma são lavadas com álcool 70% e transferidas para um reator estéril de 400 litros. Depois, o material segue para a digestão péptica, onde o anticorpo é digerido, permanecendo somente a parte que se liga com o antígeno de interesse.
Em seguida, o soro passa por um processo de precipitação, no qual os anticorpos são purificados e separados dos demais componentes do plasma. Depois disso, o soro passa por diafiltração, clarificação e isotorização, processos que refinam e estabilizam o produto. É nesta fase que o concentrado de anticorpos vai para os testes de controle de qualidade. Se aprovado, segue para a formulação, envase, teste de integridade, revisão e, por fim, o acondicionamento para a distribuição.
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