A vereadora Júlia Casamasso acionou o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) para investigar atrasos reiterados no pagamento de salários e do 13º salário de trabalhadores do Hospital Clínico de Corrêas (HCC), em Petrópolis. A representação foi encaminhada à Procuradoria do Trabalho no Município de Petrópolis no dia 19 de janeiro de 2026.
O hospital é uma entidade privada que presta serviços essenciais de saúde ao município, com atuação em atendimentos de interesse público e recebimento de recursos públicos, inclusive no âmbito do SUS. “Salário é verba alimentar. Atraso reiterado e falta de transparência não podem virar rotina em um serviço essencial que funciona com recursos públicos. O Ministério Público do Trabalho precisa apurar e garantir a regularização imediata dos pagamentos”, afirmou a vereadora.
Relatos de atrasos
Segundo informações recebidas pelo mandato, os atrasos vêm se repetindo e afetam diretamente a subsistência dos trabalhadores. As denúncias indicam pagamento apenas parcial do salário de novembro de 2025, sem quitação do restante, além de pendências do salário de dezembro e atraso no 13º salário de 2025.
Parte dos profissionais relata que a situação compromete até mesmo o deslocamento para o trabalho, o que pode gerar impacto direto na continuidade e na qualidade do atendimento prestado à população.
O que foi pedido ao MPT
Na representação, a vereadora solicita a instauração de procedimento investigatório, a requisição de documentos (como folhas de pagamento, comprovantes de pagamento, relatórios financeiros e instrumentos jurídicos de contratação) e a adoção de medidas imediatas para regularizar as verbas em atraso e evitar novos atrasos. “Com dinheiro público tem que haver transparência e responsabilidade. E pedimos que seja investigado o arranjo contratual que envolve duas pessoas jurídicas no mesmo serviço, para esclarecer eventual confusão ou grupo econômico e seus impactos na responsabilidade trabalhista e na gestão dos recursos”, disse Júlia Casamasso.
A vereadora registra ainda que, por receio de retaliações, trabalhadores relataram as denúncias sem anexar documentos formais, o que reforça a necessidade de apuração institucional pelo órgão competente.
Repasse da Prefeitura
No Diário Oficial de Petrópolis de terça-feira, dia 6 de janeiro de 2026, consta um Boletim de Publicação, que trata de um Termo de Ajuste de Contas entre o Município de Petrópolis, por meio do Fundo Municipal de Saúde, e a empresa HCC Centro de Terapia Intensiva e Cirúrgica Ltda.
De acordo com o extrato, o objeto é o pagamento de dívida referente a internações em leitos de UTI Adulto Tipo II, sem cobertura legal por termo anterior, na competência de abril de 2025. O valor global do ajuste é de R$ 1.145.000,00. O documento é datado de 3 de novembro de 2025 e assinado pelo secretário de Administração e de Recursos Humanos, Wagner Luiz Ferreira da Silva.
Sem respostas
O Correio Petropolitano enviou questionamentos à Prefeitura de Petrópolis pedindo esclarecimentos sobre: se o governo municipal tem conhecimento dos atrasos de salários e do 13º no Hospital Clínico de Corrêas; se todos os repasses financeiros previstos em contrato foram feitos nos últimos meses; e quais providências serão adotadas para garantir a regularização imediata dos pagamentos e a continuidade do serviço.
A reportagem também procurou a direção do Hospital Clínico de Corrêas (HCC) para saber desde quando os atrasos ocorrem, quantos profissionais foram afetados, quais são as causas do problema, se há previsão e cronograma para a quitação dos valores em atraso e que medidas estão sendo tomadas para evitar novos atrasos.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura e o Hospital não se pronunciaram.