Queda na recuperação de crédito acende alerta para o comércio, aponta CDL Petrópolis
A dificuldade crescente dos consumidores brasileiros para sair da inadimplência voltou a acender um sinal de alerta para o comércio. Dados divulgados nesta terça (20) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que o número de pessoas que conseguiram regularizar dívidas e deixar os cadastros de restrição caiu no fim do ano, aprofundando um cenário de fragilidade financeira que afeta diretamente o consumo. O Brasil encerrou 2025 com um recorde histórico de inadimplência, atingindo, pela primeira vez, 73,49 milhões de consumidores negativados, o que corresponde a 44,02% da população adulta do país. Em Petrópolis, o número de consumidores negativados na cidade passou de 128 mil em 2024 para 136 mil em 2025, um crescimento de 6,25% em um ano.
O Indicador de Recuperação de Crédito registrou retração em dezembro, confirmando uma tendência negativa já observada ao longo de 2025. Na comparação anual, a queda ultrapassa 7%, revelando que menos consumidores conseguiram quitar pendências e recuperar o acesso ao crédito — um movimento que preocupa empresários, sobretudo no varejo, altamente dependente do consumo parcelado.
Em Petrópolis
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis, Cláudio Mohammad, a redução na recuperação de crédito é hoje o fator mais crítico do cenário econômico. “Quando o consumidor não consegue limpar o nome, ele fica excluído do mercado por mais tempo. Isso compromete não apenas as vendas imediatas, mas toda a dinâmica do comércio, que passa a operar em um ambiente de maior risco e retração. Isso, sem contar que o consumidor perde em qualidade de vida sem poder adquirir bens e artigos básico muitas das vezes”, analisa.
O levantamento também evidencia que a dificuldade de recuperação é maior entre consumidores que permanecem longos períodos inadimplentes. Aqueles que levam mais de quatro anos para quitar dívidas foram os que apresentaram a maior redução na saída dos cadastros negativos, indicando um endividamento mais estrutural e menos pontual.
Em paralelo, o estudo aponta que a inadimplência reincidente segue em patamar elevado. Em dezembro, 84,75% dos consumidores que entraram na inadimplência já haviam passado por restrição de crédito nos 12 meses anteriores. A maioria sequer conseguiu regularizar completamente dívidas antigas antes de voltar a atrasar pagamentos, reforçando a percepção de um ciclo contínuo de endividamento.
“Esse dado mostra que não se trata apenas de um problema pontual, mas de um desequilíbrio persistente no orçamento das famílias. O consumidor até tenta se reorganizar, mas juros elevados, renda pressionada e custo de vida alto acabam empurrando novamente para a inadimplência”, avalia Claudio Mohammad.
Outro ponto que chama atenção é o curto intervalo entre uma negativação e outra. Em média, pouco mais de dois meses separam o vencimento de uma dívida da reincidência, o que demonstra a falta de margem financeira para absorver imprevistos ou reorganizar compromissos.
Segundo a CDL Petrópolis, esse cenário tem reflexos diretos na economia local. “Quando cresce o número de consumidores com restrição e diminui a recuperação de crédito, o comércio sente rapidamente. Há queda no ticket médio, maior cautela nas compras e aumento da insegurança para concessão de crédito”, observa o presidente da entidade.