Estado está em nível de rotina e a Fiocruz previu queda na incidência de casos para este ano; SES-RJ destaca que eliminar os focos do Aedes é fundamental para manter o controle
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) divulga nesta sexta-feira (23/01), um balanço atualizado do cenário epidemiológico das arboviroses no Rio de Janeiro. Atualmente, os principais indicadores da dengue estão em níveis baixos, e para este ano há previsão de queda na incidência de casos, segundo a Fiocruz. Apesar disso, as autoridades de saúde relembram que a prevenção não pode parar, a temporada do Verão, caracterizada por fortes chuvas e aumento das temperaturas é o momento ideal para a reprodução do Aedes aegypti. Segundo dados do Centro de Inteligência em Saúde (CIS-RJ), em 2026, até 21 de janeiro, o estado registrou 378 casos prováveis e 19 internações por dengue, sem registro de óbitos.
Até o momento, há 16 casos prováveis de chikungunya, sendo 6 confirmados. Mas não há casos confirmados de zika ou febre do oropouche no território fluminense. O monitoramento da dengue, arbovirose que mais circula, é realizado com um indicador composto que analisa atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e taxa de positividade. Os dados podem ser visualizados em tempo real no MonitoraRJ (monitorar.saude.rj.gov.br). Os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina, o que indica normalidade.
“Apesar dos números favoráveis, reforçamos que a participação da população é o pilar central da proteção. Como o mosquito Aedes aegypti tem uma alta capacidade de reprodução, a recomendação é que cada um de nós dedique 10 minutos por semana para realizar uma varredura em suas casas. É uma tarefa simples, mas que tem que virar hábito”, frisa a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
As ações incluem verificar a vedação da caixa d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água de bandejas de geladeira. No verão, temporada que intercala chuvas e calor, o ciclo de reprodução do mosquito tem condições ideais. Os ovos do Aedes aegypti são depositados nos acúmulos de água, e com a incidência do sol e calor, eclodem.
“Além do controle do vetor, este ano teremos uma grande novidade com as novas vacinas. Desde 2023, com os imunizantes para o público prioritário, tivemos bons resultados. Tanto que conseguimos ampliar a vacina para todas as regiões do estado. Com a soma desses esforços, conseguiremos vencer de vez a dengue e as outras arboviroses”, destaca Mário Sérgio Ribeiro, subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde da SES-RJ.
Desde o início da aplicação da vacina Qdenga em 2023, foram aplicadas mais de 758 mil doses do imunizante em todo o estado. Do público-alvo de 10 a 14 anos de idade, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a 1ª dose, e 244 mil já completaram o esquema com a 2ª dose.
A Secretaria também investe na melhora da rede de saúde com capacitações assíncronas como videoaulas e treinamentos. O Estado foi pioneiro ao criar uma ferramenta digital que uniformiza o manejo dos casos de dengue nas unidades de saúde. A aplicação também foi disponibilizada aos outros estados do Brasil.
O Lacen-RJ (Laboratório Central Noel Nutels) foi equipado com capacidade para realizar até 40 mil exames por mês, garantindo a detecção ágil não apenas da dengue, mas também de Zika, Chikungunya e da recém-introduzida Febre do Oropouche.
Alerta sobre os novos sorotipos
O Centro de Inteligência em Saúde do RJ seguirá monitorando a possível reintrodução do sorotipo 3 da dengue no território. Cabe relembrar que essa variante circula em estados vizinhos, mas até o momento, não se propagou no RJ.
Diante das mudanças climáticas, que favorecem a reprodução dos vetores, a Secretaria atualizou seu Plano de Contingência de Arboviroses Urbanas, para agilizar a resposta e articular junto aos 92 municípios do estado diante de qualquer mudança no cenário epidemiológico.