A Geração Bike Brasil realizou no último fim de semana em Petrópolis e Paraíba do Sul um trabalho que promete revolucionar a mentalidade de fazer esporte de alto rendimento no Brasil. Neste sábado, na academia Energy Gym, em Carangola, foi apresentado à imprensa e convidados o projeto Gen2Rise, um programa inovador de desenvolvimento esportivo de longo prazo no ciclismo. Capitaneado pela atleta olímpica de mountain bike Giugiu Salvini Morgen e pelo médico do esporte José Cruvinel, o projeto foi
descrito como a “concretização de um sonho grandioso” e um caminho desafiador, com foco no
propósito e na construção consistente de performance, tendo o sonho olímpico como horizonte.
Em sua fala emocionada, Giugiu defendeu valores sólidos e um trabalho multidisciplinar como pilares do Gen2Rise. “Respeito ao corpo e ao processo. Eu desrespeitei o processo do meu corpo no passado”, admitiu a atleta, lembrando de um colapso por overtraining. “Nosso foco é no desenvolvimento integral. Todo mundo na equipe tem o mesmo nível de importância. É fazer diferente, aproveitando os diversos talentos”, afirmou, destacando que o projeto, que começou há dois anos, já é um sonho realizado.
José Cruvinel, diretor técnico e idealizador do projeto ao lado de Giugiu, traçou um panorama da filosofia da equipe. Ele afirmou que o maior erro seria “formar campeões sem caráter, saúde e processo volutivo”.
“Nosso conceito é formar pessoas. Ser campeão é consequência, e nem é o objetivo principal”, declarou. Cruvinel, que acompanha Giugiu há quatro anos, revelou ter proposto um projeto de seis anos para estruturar sua carreira, com foco na evolução consistente e no monitoramento diário do equilíbrio do atleta.
A equipe apresentou seu elenco, que une jovens promessas e atletas de elite, refletindo a proposta de ser uma “escola de atletas”. Além de Giugiu, principal âncora do projeto, foram apresentados o piloto Pedro Áreas, de 17 anos, e Lucas Takay, de 13 anos. Pedro destacou o prazer de integrar um projeto “com conceito diferente”, enquanto Cruvinel enfatizou a adaptação da intensidade de acordo com a idade e evolução de cada um, sem pressionar precocemente os mais jovens.
Um dos pontos altos da apresentação foi a explanação detalhada sobre o rigoroso modelo científico e tecnológico de monitoramento. Cruvinel explicou a diferença entre carga externa (distância, velocidade) e interna (resposta biológica do organismo), e como a interação entre ambas é monitorada com tecnologia de ponta e ciência de dados. “A inteligência artificial é boa, mas nunca subirá numa bike para correr. Precisamos formar um atleta completo”, ponderou, reforçando o caráter humano do trabalho.
A política antidopagem foi apresentada como um pilar inegociável. “O jogo limpo é necessário. O atleta é responsável pelo que usa e precisa conhecer o código antidopagem atualizado”, afirmou Cruvinel de forma explícita. A equipe conta com controle interno e externo de carga, sempre alinhado às regras internacionais.
Especialistas da equipe multidisciplinar palestraram sobre temas cruciais para a performance. A nutricionista Lívia Garcia detalhou a importância da suplementação estratégica de carboidratos. A ginecologista Daniele Antunes alertou sobre a Síndrome da Deficiência Relativa de Energia no Esporte (RED-S), criticando pressões estéticas e a desinformação nas redes sociais. “Comer bem não atrapalha o esporte. A saúde vem antes da estética”, enfatizou.
A análise de dados foi tema da palestra de Márcio Lazari, que demonstrou como a tecnologia é usada para compreender a performance e pontuar a carga de treino, uma ferramenta valiosa tanto para profissionais quanto amadores. “Análise de desempenho é ‘olhar para trás’ para calibrar cada fase do treinamento”, explicou.
Giugiu encerrou reforçando o caráter social e inspirador do Gen2Rise. “Queremos uma linguagem que converse com jovens e experientes. A ideia é ser um espelho, ajudar a molecada a chegar lá na frente”, disse, agradecendo o apoio da família e reafirmando seu projeto olímpico: “Não é conversinha não, quero chegar lá”. O projeto se consolida assim como uma nova referência na preparação de ciclistas no Brasil, unindo método científico, compromisso ético e uma visão humanista do esporte.