Município está entre os selecionados para testar metodologia que integra planejamento urbano, meio ambiente e redução de riscos de desastres
Petrópolis está entre os municípios que terão projetos colocados em prática na próxima fase do DUI-RRD Cidades, iniciativa nacional que promove o Desenvolvimento Urbano Integrado como ferramenta para reduzir riscos de desastres agravados pelas mudanças climáticas. A cidade serrana teve sua proposta reconhecida como uma das mais alinhadas à metodologia do programa e será um dos seis municípios pilotos que vão aplicar, na prática, o manual técnico de resiliência urbana ao longo de 2026.
A confirmação veio após a rodada de apresentações realizada em 28 de janeiro, quando equipes de 11 municípios detalharam seus projetos. Ao todo, nove propostas foram analisadas tecnicamente, consolidando um processo iniciado em maio de 2025. Petrópolis se destacou pelo forte protagonismo comunitário e pela integração entre políticas públicas locais.
De planos a ações concretas
O projeto DUI-RRD Cidades reúne municípios interessados em fortalecer a prevenção de desastres por meio de planejamento urbano integrado, participação social, preservação ambiental e adaptação climática. A iniciativa reconhece que estratégias urbanas bem articuladas são essenciais para proteger vidas e promover saúde e qualidade de vida.
Segundo a coordenação do programa, o processo é dialógico: os municípios aprimoram seus projetos com apoio técnico e, ao mesmo tempo, contribuem para aperfeiçoar a metodologia que poderá ser replicada em escala nacional.
“É uma oportunidade de troca: o município aprimora seu projeto com nosso apoio técnico e, simultaneamente, contribui para o aperfeiçoamento da metodologia para que seja relevante na escala nacional”, destacou Talita Gantus, da equipe executora.
Petrópolis: pequenas ações, grandes mudanças
Com o lema “Pequenas ações, grandes mudanças”, Petrópolis apresentou uma proposta centrada no território do Lusitano/Caxambu, área historicamente afetada por deslizamentos e outros eventos extremos.
O diferencial da cidade está na inversão da lógica tradicional do planejamento urbano: em vez de decisões exclusivamente técnicas, o projeto valoriza o protagonismo das lideranças comunitárias. A Defesa Civil atua como ponte entre o conhecimento técnico e o saber local.
O território foi escolhido pelo alto nível de organização do NUPDEC (Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil), onde os próprios moradores já realizam diagnósticos participativos e reuniões autônomas. Esses dados serviram de base para a construção de um mapa participativo, que definiu as intervenções prioritárias.
Outro ponto forte é a tentativa de garantir continuidade institucional. A proposta prevê que as ações deixem de ser pontuais e passem a integrar oficialmente o orçamento e a rotina das secretarias municipais, como Obras, Meio Ambiente e COMDEP. O projeto também servirá de base para a revisão do Plano Diretor, transformando a escuta comunitária em política pública permanente.
Como os municípios foram avaliados
A seleção dos pilotos considerou cinco critérios principais:
• Participação e engajamento ao longo do processo
• Convergência com a metodologia do Desenvolvimento Urbano Integrado
• Governança, com articulação entre secretarias
• Exequibilidade das ações propostas
• Base de planejamento existente, como Plano Diretor e PMRR
As apresentações demonstraram avanço na integração entre gestão de riscos e políticas de habitação, saneamento e mobilidade.
Outras cidades também apresentaram propostas
Além de Petrópolis, participaram municípios de várias regiões do país, com iniciativas como:
• Belo Horizonte (MG) — soluções baseadas na natureza e política de enfrentamento ao calor extremo
• Contagem (MG) — reflorestamento de encostas e “praça comestível” em área de risco
• Nova Friburgo (RJ) — integração das ações de resiliência por decreto municipal
• Olinda (PE) — laboratório comunitário no bairro Passarinho
• Teresina (PI) — requalificação da Lagoa dos Oleiros com foco na primeira infância
• Paraíba do Sul (RJ) — praças alagáveis e saneamento contra enchentes
• Simões Filho (BA) — regularização fundiária e requalificação urbana
• Nova Lima (MG) — integração entre planejamento urbano e redução de riscos geo-hidrológicos
Próximos passos
Em 2026, os municípios selecionados passam a ser laboratórios vivos da metodologia. A implementação começa com encontros remotos periódicos e uma oficina presencial em maio. O manual técnico será ajustado a partir das experiências locais e terá sua versão final lançada em dezembro de 2026.
Por Richard Stoltzenburg/Foto: Gutemberg Brito