Com um estádio lotado para a final da Supercopa do Brasil 2026, que consagrou o Corinthians bicampeão ao vencer o Flamengo por 2 a 0, o governo do Brasil realizou, neste domingo (1º), uma ampla ação de enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio. A iniciativa foi promovida pelos Ministérios do Esporte e das Mulheres, na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília (DF).
Antes da bola rolar, as 71.244 torcedoras e torcedores presentes acompanharam a exibição de um vídeo institucional do Governo do Brasil com mensagens diretas de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres e a divulgação do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, serviço nacional, gratuito e confidencial, que funciona 24 horas por dia. O mesmo vídeo voltou a ser exibido no intervalo.
A mobilização reforçou que, dentro e fora dos estádios, rivalidades ficam em segundo plano quando o tema é a proteção da vida das mulheres e a promoção de um ambiente esportivo mais seguro, democrático e acolhedor.
Estádios como espaços estratégicos de conscientização

Para o ministro do Esporte, André Fufuca, levar esse debate para dentro dos grandes eventos esportivos é uma estratégia necessária e urgente. “Os dados mostram que, em dias de jogos, os índices de violência contra as mulheres aumentam significativamente. O estádio, onde a maioria do público ainda é masculino, precisa ser também um espaço de reflexão, responsabilidade e mudança de comportamento. Combater a violência contra as mulheres é fundamental para democratizar o esporte e garantir que ele seja, de fato, para todas e todos”, destacou o ministro.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçou o papel dos eventos esportivos como espaços de proteção e de mobilização social. “Não passe pano, denuncie. Vamos proteger as mulheres. Ligue 180. Estamos aqui, conversando com corintianos, corintianas, flamenguistas, com todas as torcidas, para que não haja violência. Para além do jogo e do futebol, precisamos ter compromisso com a paz, com a igualdade de gênero, com tratar bem as mulheres. Queremos uma sociedade justa, democrática, sem nenhum tipo de violência, sem nenhum feminicídio mais”, afirmou.
A voz da torcida
A ação também deu espaço para a escuta das torcedoras e dos torcedores, que destacaram a importância de campanhas como essa para transformar a cultura nos estádios e na sociedade. Torcedor do Corinthians, Marcos Gomes, de Teresina (PI), que atualmente mora em Brasília, avaliou que os estádios ainda precisam avançar em segurança para as mulheres.
“Com certeza, ainda precisam se tornar mais seguros. Hoje, eu não recomendaria que minha filha ou minha esposa viessem sozinhas ao estádio. É um ambiente majoritariamente masculino e, infelizmente, nem todos respeitam as mulheres”, afirmou. Para ele, a presença do governo no debate é fundamental. “Sem dúvidas, é sempre importante. A conscientização precisa começar desde cedo, com educação dentro de casa, formando homens que respeitem as mulheres e não reproduzam a violência no futuro”, completou.

Moradora de Taguatinga Norte (DF), a torcedora do Flamengo Milena Marques Simões de Oliveira também defendeu a importância da campanha. “Com ações afirmativas e incentivo, a gente consegue um estádio mais seguro e uma torcida mais consciente, fazendo com que as mulheres se sintam protegidas”, disse. Segundo ela, discutir o aumento da violência doméstica em dias de jogos é essencial. “Não é um problema das mulheres, é um problema coletivo. Trazer esse debate para um ambiente majoritariamente masculino ajuda a mudar mentalidades e a reduzir a reincidência da violência.”

A corintiana Cibele Silva Carvalho relatou que nunca viveu situações constrangedoras no estádio, mas reconhece que a violência contra as mulheres é uma realidade. “A Arena do Corinthians é respeitosa, mas a violência existe em vários lugares. Por isso, é muito importante o governo trazer essa campanha para o estádio, que ainda é um espaço muito masculinizado e com muito machismo”, disse. Ela contou que hoje se sente mais segura para levar a filha de 17 anos aos jogos. “No começo, eu tinha medo. Hoje, venho tranquila, e ações como essa ajudam muito para que mais mulheres ocupem esse espaço.”
Geovana Martins, torcedora do Corinthians e moradora de Bauru (SP), frequenta estádios há cerca de cinco anos e destacou o impacto da iniciativa. “Ações de conscientização como essa encorajam nós, mulheres, até a virmos sozinhas ao estádio. Eu, por exemplo, quase sempre venho acompanhada por um homem. Precisamos nos sentir mais seguras para ocupar esse espaço”, afirmou.

O flamenguista Alexandre Reis, de Belo Horizonte (MG), viajou a Brasília exclusivamente para acompanhar a final e destacou a evolução do ambiente nos estádios. “O estádio é um lugar para todo mundo. Hoje está bem mais seguro e confortável”, afirmou. Para ele, o enfrentamento à violência contra as mulheres precisa ser tratado diretamente com os homens. “É um problema que deve ser discutido com os homens. Somos nós que precisamos respeitar as mulheres. Sem sombra de dúvida, é um tema que precisa ser debatido”, ressaltou.
Moradores de Goiânia (GO), os flamenguistas Fabiana Silva e Marcelo Gleisson levaram o filho de apenas três anos para assistir à final. Para Fabiana, a presença das mulheres transforma o ambiente esportivo. “O estádio sempre foi muito masculino, mas hoje as mulheres estão mais presentes. Isso é bonito de ver. É uma ação muito importante, porque a mulher também faz parte do futebol, traz mais segurança e permite que as famílias se reúnam em um lugar único”, avaliou.
Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte
´Foto: Ronaldo Caldas/MEsp