O calor intenso, as aglomerações e o esforço físico típico dos blocos de rua aumentam o risco de insolação durante o Carnaval. O alerta é do médico do Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (Unifase), Attilio Valentini, que explica os sintomas, os fatores de risco e as formas de prevenção.
Segundo ele, a insolação é uma condição grave e pode evoluir rapidamente para complicações sérias. “A insolação é uma condição que ocorre quando o indivíduo se expõe excessivamente ao Sol e ao calor intenso. Ela ocorre quando a temperatura corporal se eleva e os mecanismos de transpiração se desregulam, fazendo com que o corpo não seja capaz de se resfriar sozinho”.
O médico ressalta que a situação é favorecida por aglomerações, atividade física intensa e hidratação inadequada.
Sintomas de forma gradual
De acordo com Attilio Valentini, os primeiros sinais podem surgir aos poucos, mas não devem ser ignorados. “Durante o Carnaval, devido à aglomeração e ao esforço físico, é crucial identificar os primeiros sinais”, enfatizou.
Entre os sintomas iniciais estão dor de cabeça intensa, tontura, náusea, vômitos, visão embaçada, pulso acelerado e confusão mental. Um sinal de alerta importante é a pele quente e seca, indicando falha no mecanismo de transpiração.
Nos casos mais graves, a temperatura corporal pode ultrapassar 40°C, podendo ocorrer convulsões, desmaios e alterações respiratórias. Nesses casos, o atendimento médico deve ser imediato, com acionamento do SAMU (192).
Prevenção
Para evitar a insolação, o médico afirma que a prevenção é fundamental. “A prevenção baseia-se em quatro pilares: sombreamento, vestuário, hidratação e horário”, afirmou.
Ele recomenda evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h, utilizar chapéu ou boné e óculos com proteção UV, além de optar por roupas leves, claras e de tecidos respiráveis, como algodão. Fazer pausas em locais sombreados e ventilados também é essencial.
Hidratação
Attilio Valentini destaca que beber água regularmente é a medida mais importante. “A hidratação é a principal barreira contra a insolação”. A orientação é não esperar sentir sede. Água, água de coco e sucos naturais são indicados, assim como o consumo de frutas ricas em água, como melancia, melão e laranja.
Sobre os isotônicos, ele faz uma ressalva: “Apenas na fase de recuperação ou prevenção, não no momento do socorro imediato da insolação”, afirmou. Ou seja, em caso de insolação instalada, a recomendação é oferecer água fria em pequenos goles, apenas se a pessoa estiver consciente.
Primeiros socorros
Caso alguém apresente sinais de insolação, a prioridade é reduzir a temperatura corporal de forma gradual. “O objetivo primário é reduzir a temperatura corporal de forma lenta e gradual”
O indicado é levar a pessoa para um local fresco e ventilado, retirar o excesso de roupas e aplicar compressas frias na testa, pescoço, axilas e virilhas. Se estiver consciente, pode-se oferecer água fria em pequenos goles. Em casos de confusão mental, convulsão ou desmaio, o socorro médico deve ser acionado imediatamente.
Álcool e medicamentos aumentam o risco
O consumo de bebidas alcoólicas é um dos principais fatores de risco. “O álcool inibe a liberação do hormônio antidiurético, aumentando a eliminação de água e sais minerais pela urina”. Segundo o médico, o álcool acelera a desidratação e dificulta a regulação da temperatura corporal. A recomendação é intercalar cada bebida alcoólica com um copo de água.
Além disso, pessoas que utilizam medicamentos como diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos ou antipsicóticos apresentam maior vulnerabilidade ao calor.
Fantasias e maquiagem
As fantasias também podem influenciar no risco de insolação. “Evite tecidos sintéticos e fantasias muito fechadas ou com excesso de camadas, pois dificultam a dissipação do calor”.
Em relação à maquiagem, o médico esclarece que ela não causa insolação diretamente, mas pode provocar irritações na pele. “Embora não causem diretamente insolação, produtos de baixa qualidade ou o uso excessivo podem obstruir os poros e causar dermatite”, explicou.
Insolação é emergência médica
Attilio Valentini reforça que a insolação pode levar a complicações graves. “A insolação é uma emergência médica, com risco de morte”, alertou o profissional.
Sem tratamento rápido, podem ocorrer convulsões, lesões cerebrais irreversíveis, falência de órgãos — como coração, rins e fígado —, além de rabdomiólise, que é a destruição do tecido muscular.
Protetor solar é essencial
O médico explica que o protetor solar não impede o aumento da temperatura corporal, mas é importante na prevenção de queimaduras. “O protetor solar não impede a elevação da temperatura corporal, mas é parte crucial da prevenção”.
A recomendação é utilizar fator de proteção solar (FPS) 30 ou superior, com reaplicação a cada duas horas ou após suor excessivo.