Moradores da Rua Nicarágua, na altura do nº 1040, no bairro Quitandinha relatam problemas com o estado de conservação da região. Segundo os relatos, a via sofre com a ausência de pavimentação e falta de capina há mais de um ano. Populares afirmam que a última intervenção de limpeza e manutenção no local ocorreu no início de 2025, e que tentativas de contato com a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) não foram respondidas.
O morador Adriano Alves relata que a comunidade enfrenta problemas estruturais há cerca de 30 anos. “A rua é esburacada e abandonada há tempos, mas a situação se agravou. Eles afirmam, todas as vezes, que farão alguma coisa, mas nunca vão. Antigamente, pelo menos, a capina era feita. Antes, a rua já era malcuidada no sentido do asfalto, mas ao menos era limpa. Agora não é nem limpa: o mato tomou conta e ela está toda esburacada, toda arrebentada”, afirmou.
Além da infraestrutura, o problema afeta o direito de ir e vir dos moradores, pois a passagem é considerada perigosa para o trânsito de pessoas. “Tá muito complicado. Tem criança, idoso, já reclamamos, mas não fazem nada. A rua é péssima, aí como tem uma ladeira, ela fica toda esburacada, é um buraco muito fundo que não passa carro, então a pessoa só consegue se locomover a pé”, disse.
Adriano contou ainda que há cerca de três anos os habitantes ficaram presos nas residências, sem possibilidade de acessar a outra passagem considerada boa, por conta de uma barreira. “Já aconteceu de cair uma barreira lá em cima, na casa da entrada da rua que impossibilitou a utilização do único acesso bom e aí ficamos presos”. O atual caminho também dificuldade acesso principalmente de idosos que moram na região. Outro receito são os acidentes com animais peçonhentos, devido à vegetação.
Olhar público
Adriano Alves relatou que o Poder Público já foi notificado e que sabe da necessidade de manutenção na região, porém, há cerca de um ano, nenhuma melhoria foi promovida. “O negócio é o descaso total com a rua, porque consta como calçada na Prefeitura. Mas ela é calçada só nos extremos. O dinheiro usado pelo calçamento foi só nos extremos. O meio da rua continua sem calçamento”, enfatizou.
População à mercê
O Correio trouxe, na última semana, o caso do bairro Vila Rica, localizado em Itaipava, onde moradores relataram problemas com a pavimentação ao redor das lixeiras e acúmulo de lixo que levam à proliferação de roedores. A denúncia também mostrou que o poder público foi acionado, porém não efetuou medidas eficazes. Os dois casos descritos trazem à tona a fragilidade das políticas públicas para os mais vulneráveis.
Que os fazem se encaixar no conceito de “racismo ambiental”, onde a comunidade periférica não recebe a atenção necessária no que diz respeito a serviços essenciais, como infraestrutura e pavimentação. O termo entrelaça a falta de políticas públicas voltadas à população negra, indígena, latina e às minorias quando se trata de espaços na sociedade. Em sua maioria, esses grupos são afetados diretamente pela degradação ambiental, sendo expostos a riscos ambientais nocivos à saúde.
Após questionamento, a Comdep informou que o serviço de capina será realizado nos próximos dias. E ressaltou ainda que a Secretaria de Obras fará uma vistoria no trecho.