A demora na reabertura do Theatro Dom Pedro, no Centro de Petrópolis, tem gerado preocupação não apenas no setor cultural, mas também entre comerciantes que trabalham no entorno do prédio histórico. Vendedores e donos de pequenos estabelecimentos afirmam que o movimento diminuiu desde o fechamento do teatro, que está em obras desde 2019.
Localizado na Praça dos Expedicionários, conhecida como Praça do Theatro, o espaço cultural é considerado um dos principais equipamentos culturais da cidade. Sem programação e com o prédio fechado há quase sete anos, comerciantes dizem que a região perdeu parte do fluxo de pessoas, especialmente à noite e nos fins de semana.
Programação do teatro ajudava
Para Anderson Vinicius do Nascimento, que trabalha com uma barraca de pipoca próxima ao teatro, os espetáculos e eventos culturais sempre ajudaram a movimentar o comércio local. Segundo ele, a obra deveria ter sido concluída ainda em 2020.
“Era uma obra que era para ter sido inaugurada em abril de 2020. Depois vieram pandemia, enchente e outros problemas. A gente entende que essas coisas atrasam, mas já vão fazer sete anos”, afirmou.
De acordo com o comerciante, sempre que havia apresentações no teatro o movimento aumentava na praça e nas ruas próximas. “O teatro era um bônus para a gente. Toda vez que tinha peça, a gente conseguia um faturamento extra. Não só para mim, mas para o comércio da rua toda”, disse.
Ele também destaca que o fechamento de parte da calçada no entorno da obra diminuiu a circulação de pedestres.
Barraca tradicional sente impacto
A percepção é parecida para Carlos Eduardo da Silveira, responsável por uma barraca de pipoca que existe há mais de 50 anos na praça. Para ele, o funcionamento regular do teatro poderia trazer benefícios para toda a cidade.
“Se o teatro estivesse funcionando, ajudaria muito. Não só para mim, mas para a cidade toda. O turista vem para gastar”, afirmou.
Segundo o comerciante, a presença de visitantes e moradores em eventos culturais sempre ajudou a impulsionar as vendas na região central.
Falta de atividades culturais
Para a comerciante Marlene da Glória, dona de uma lanchonete próxima ao teatro, a ausência de programação cultural no espaço também contribui para a queda no movimento do Centro Histórico. “Se o teatro estivesse aberto, com certeza teríamos mais público e mais movimento para o comércio”, disse.
Ela afirma que a cidade precisa oferecer mais atividades para atrair moradores e turistas. “Petrópolis é uma cidade turística. A gente precisa chamar o turista para cá. Principalmente no fim de semana, muitas vezes não tem nada para fazer no Centro”, afirmou.
Marlene também criticou a demora na conclusão da reforma. “As obras ficam nessa coisa de nunca terminar. Sempre tem uma paralisação, sempre aparece um problema”, disse.
Calçada fechada
Outro ponto citado pelos comerciantes é a interdição de parte da calçada ao lado do teatro. Para Ronaldo da Silva Tavares, dono de uma barraca de arte na praça, a situação dificulta a circulação de pedestres. Segundo ele, idosos e pessoas com deficiência acabam tendo que atravessar a rua para contornar o trecho interditado. “Essa calçada fechada acaba sendo até um perigo. As pessoas precisam atravessar para o outro lado”, afirmou.
Para o comerciante, a reabertura do teatro deve trazer impacto direto para os vendedores da região. “Mais público significa mais movimento e mais consumo. Mais gente, mais dinheiro para os comerciantes”, disse.
Reforma segue sem data
Na última semana, a Prefeitura de Petrópolis apresentou uma atualização sobre o andamento das obras do Theatro Dom Pedro durante uma reunião com produtores culturais da cidade. O encontro foi conduzido pelo presidente do Instituto Municipal de Cultura (IMC), Adenilson Honorato, e contou com a participação de representantes da Secretaria de Obras.
Segundo a Prefeitura, diversas etapas da reforma já foram executadas no prédio histórico, como a recuperação de pisos, paredes e telhado, a implantação de um novo sistema de combate a incêndio, a instalação de elevador e plataforma de acessibilidade, além da pintura interna e externa e do restauro das pinturas artísticas.
Também foram realizadas melhorias nos camarins e nas salas destinadas a atividades culturais. De acordo com a Secretaria de Obras, a etapa final depende de um desligamento temporário da rede elétrica pela concessionária responsável. O procedimento é necessário para a instalação definitiva do sistema de climatização do teatro.
Apesar da atualização sobre o andamento das intervenções, a Prefeitura não informou um novo prazo para a conclusão da obra ou para a reabertura do espaço. Enquanto isso, artistas, produtores culturais e comerciantes seguem aguardando a volta das atividades no principal palco cultural de Petrópolis.
O que diz a prefeitura?
A Prefeitura de Petrópolis informa que as obras de revitalização do Theatro Dom Pedro já tiveram concluídas importantes etapas estruturais, como as instalações elétricas e hidrossanitárias, recuperação de piso, paredes e telhado, implantação de novo sistema de combate a incêndio, instalação de elevador e plataforma de acessibilidade, pintura interna e externa, restauro das pinturas artísticas, recomposição da fachada, além da reforma das salas de dança e de música e melhorias nos camarins.
Neste momento, o município aguarda a liberação da concessionária de energia elétrica para a etapa final de instalação do sistema de climatização do espaço, procedimento que exige o desligamento temporário da rede para o posicionamento definitivo dos equipamentos. Após essa etapa, será possível avançar para as vistorias finais.
Por se tratar de um prédio histórico e de uma obra que exige rigor técnico em cada fase, ainda não há uma data definida para a reabertura do Theatro Dom Pedro. A Prefeitura reforça, no entanto, que a entrega do espaço é prioridade da gestão.
Na semana passada, o governo municipal se reuniu com produtores culturais para apresentar o andamento das intervenções e reforçar o diálogo com o setor. Sobre o modelo de gestão após a reabertura, a Prefeitura estuda alternativas que garantam programação contínua, valorização dos artistas locais e amplo acesso da população ao equipamento cultural.