Por Gabriel Toledo
Uma das lojas mais tradicionais de Petrópolis vai encerrar as atividades no próximo mês. A sapataria Chuá, com mais de 58 anos de história, fechará definitivamente no dia 6 de abril. O estabelecimento funciona atualmente na Rua Paulo Barbosa, no Centro.
A decisão reflete um cenário de dificuldades enfrentado pelo comércio local. Segundo o vendedor Rogério Machado, que trabalha na loja desde 1998, o fechamento foi motivado por fatores como o alto custo dos aluguéis e a queda no movimento de clientes.
“Petrópolis caiu muito o movimento nos últimos anos, além disso, há pouco incentivo no comércio. A gente vem sofrendo, a cidade tem muitas lojas fechando, e acabou chegando a nossa vez. A nossa sapataria era localizada na Rua do Imperador, e em 2021 nós viemos para esse endereço. Nesse período, tentamos de tudo para manter a loja, mas não deu. Petrópolis está tudo muito difícil, as coisas são muito caras”, afirmou.
Ele também destaca que diferentes fatores influenciam diretamente o desempenho das lojas na cidade.
“São vários fatores que influenciam o comércio na cidade, como o ponto em que a loja é localizada e a época do ano. Eu fico até triste de ver o tanto de lojas fechando na cidade.”
A percepção de crise não é isolada. Moradores relatam dificuldades para manter negócios no município.
“Eu acho que tem muita loja fechando na cidade, eu acho que está bem difícil”, disse o carpinteiro Cláudio Messias Sabino.
O aposentado Francisco Freire também avalia o momento como negativo.
“Na realidade, o que a gente vê são mais empresas e lojas fechando do que abrindo na cidade. Estamos passando por uma situação muito difícil no país. Nossa cidade não merece passar por um momento desse, nossa cidade é linda e tem diversos pontos positivos, mas empreender, infelizmente, não é um deles.”
Dados do Painel do Mapa de Empresas, do Governo Federal, mostram que Petrópolis registrou, entre janeiro e fevereiro de 2026, a abertura de 1.542 empresas e o fechamento de 981. Em 2025, foram 7.605 empresas abertas e 4.928 encerradas. Atualmente, o município conta com 46.628 empresas ativas, sendo 2.661 no segmento de comércio varejista de vestuário.
Apesar do saldo positivo na abertura de empresas, o mercado de trabalho no setor apresenta sinais de alerta. Em janeiro, o comércio registrou 643 contratações e 830 desligamentos na cidade, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, resultando em saldo negativo de 187 vagas.
Para a advogada Ana Cristina Bittencourt, o alto custo dos aluguéis comerciais é um dos principais entraves para a permanência de empresas, além da concorrência com o comércio digital.
“Infelizmente nós observamos, em Petrópolis, uma decadência no comércio. Nós temos empresas muito antigas fechando as portas. São diversas questões para lidar, principalmente a situação atual do país, e é claro, o preço dos aluguéis. Atualmente, nós temos muitas lojas online, o que faz com que as pessoas prefiram o comércio digital. É muito lamentável ver onde a cidade está chegando.”
Foto Gabriel Toledo/CM