Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado (28)
Por Gabriel Rattes
A cobertura vacinal contra a Influenza (gripe) nos municípios da Região Serrana e Centro-Sul Fluminense está abaixo do ideal em 2025. Dados recentes mostram que nenhum dos grupos prioritários atingiu a meta de 90% recomendada pelo Ministério da Saúde. O cenário preocupa às vésperas do início da Campanha Nacional de Vacinação, que começa neste sábado (28).
Entre os grupos analisados — crianças, gestantes e idosos —, os índices variam entre 43% e 51% na média regional. Isso significa que mais da metade da população mais vulnerável ainda não está protegida contra o vírus.
Baixa cobertura entre gestantes
O grupo com menor adesão é o de gestantes, com cerca de 43% de cobertura. Em cidades como Nova Friburgo e Paty do Alferes, os índices são ainda mais baixos, próximos de 27%. Em Nova Friburgo, das 1.322 gestantes, apenas 360 foram vacinadas (27,23%). Já em Paty do Alferes, foram 75 imunizadas de um total de 274, o que representa 27,37% do público-alvo.
Apenas um município ultrapassou os 70% de cobertura: Miguel Pereira, com 140 vacinadas de um total de 183 (76,50%). Os demais registraram índices inferiores: Areal (32,29%), Paraíba do Sul (41,06%), Três Rios (40,13%), São José do Vale do Rio Preto (57,14%) e Teresópolis (29,42%).
A baixa vacinação nesse público é considerada crítica, já que gestantes têm maior risco de desenvolver complicações causadas pela gripe, como internações e agravamento do quadro clínico.
Crianças e idosos
Entre crianças de seis meses a menores de seis anos, a cobertura gira em torno de 54%. Já entre idosos, o índice médio é de aproximadamente 50%. Embora alguns municípios apresentem desempenho melhor, como Areal e Miguel Pereira, nenhum alcançou o patamar considerado ideal para garantir proteção coletiva.
Os menores índices entre crianças foram registrados em Paraíba do Sul (36,59%) e Três Rios (39,15%). Já as maiores coberturas foram observadas em Areal (78,04%), Miguel Pereira (72,34%) e São José do Vale do Rio Preto (70,97%). Os demais municípios registraram: Nova Friburgo (48,29%), Paty do Alferes (44,37%) e Teresópolis (42,15%).
Entre os idosos com mais de 60 anos, Paraíba do Sul também apresentou o pior desempenho, com 3.662 vacinados de um total de 8.824 (41,50%). O segundo menor índice foi registrado em Teresópolis (42,65%).
As maiores coberturas foram novamente em Areal (66,15%) e Miguel Pereira (61,18%). Os demais municípios registraram: Três Rios (50,15%), São José do Vale do Rio Preto (49,81%), Paty do Alferes (45,69%) e Nova Friburgo (44,01%).
Campanha Nacional
A nova etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa no próximo sábado, dia 28 de março. Realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, a mobilização prioriza crianças, gestantes e idosos com 60 anos ou mais, grupos mais suscetíveis a formas graves da doença.
O chamado “Dia D” será realizado na mesma data, e a campanha segue até 30 de maio, com vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Para se vacinar, basta fazer parte do público recomendado e procurar a unidade de saúde mais próxima, principalmente com a aproximação dos meses mais frios, quando aumenta a circulação do vírus.
Público-alvo
A vacina influenza trivalente integra o Calendário Nacional de Vacinação e é recomendada para crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes.
Além desses públicos, a imunização é ofertada como estratégia especial para outros grupos prioritários. Para crianças de 6 meses a 8 anos, o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já vacinadas anteriormente recebem uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas.
No caso da população indígena a partir de 6 meses de idade, seguem as mesmas orientações de faixa etária e histórico vacinal. Crianças e pessoas com comorbidades até 8 anos que ainda não foram vacinadas também devem receber duas doses.
A proteção contra a influenza é realizada anualmente para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação. A cada campanha, o Ministério da Saúde disponibiliza vacinas atualizadas, reforçando a importância da imunização periódica para assegurar uma proteção eficaz.
A aplicação pode ser realizada de forma simultânea a outras vacinas do Calendário Nacional, como a da Covid-19.
Cenário
Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas. As informações são do painel do Ministério da Saúde, do Governo Federal.
Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil