Levantamento da Viação Dedo de Deus aponta melhora da circulação dos ônibus nos horários de pico e potencial para ampliação da oferta de horários
Mesmo com os impactos no trânsito provocados pelas obras de esgotamento sanitário em diferentes pontos da cidade, a faixa exclusiva para ônibus na Avenida Lúcio Meira já começa a apresentar ganhos reais para o transporte público em Teresópolis. Levantamento da Viação Dedo de Deus aponta que o trecho dedicado exclusivamente aos coletivos, ainda em fase de implantação, já reduziu o tempo de viagem das linhas em até 15%.
O estudo avaliou todas as viagens operadas diariamente após as 16h, apenas no sentido contemplado pela faixa. A análise comparou as estatísticas de novembro e dezembro — período anterior à medida — com os de fevereiro, quando a faixa já estava em funcionamento. Os dados foram obtidos por meio do sistema de GPS dos veículos, garantindo precisão na medição dos tempos de percurso.
Os resultados indicam melhora nos tempos de viagem de praticamente em todas as linhas. Itinerários como Alto x Quinta Lebrão, Parque Ermitage x Vale da Revolta, Parque Ermitage x Beira Linha, Granja Guarani x Jardim Meudon, Alto x Jardim Pimenteiras (via Fátima) e mais outras dez linhas, apresentaram os maiores ganhos, com diminuição de até 15%. Nos demais itinerários, a redução no tempo de viagem variou entre 5% e 10%.
Viagens mais rápidas com aumento dos horários
Apesar dos resultados positivos na primeira análise, os dados foram registrados em um período marcado por diversas obras simultâneas na cidade, muitas com sistema de pare e siga nas ruas. A expectativa é que, com a conclusão das intervenções nas principais vias de circulação e a sinalização completa da faixa exclusiva, os ganhos de fluidez permitam uma redução superior a 20% do tempo de viagem na maior parte das linhas.
De acordo com o gerente de operações da Viação Dedo de Deus, Auvanir Júnior, a regularidade dos ônibus já melhorou. “Já observamos uma redução significativa nos atrasos e no número de viagens que deixavam de ser realizadas por conta dos congestionamentos. Isso gera mais confiabilidade para quem usa o ônibus diariamente”, afirma.
Segundo ele, a redução dos tempos de viagem permite mais pontualidade dos quase 1.400 horários ofertados diariamente e abre um espaço seguro para aumentar o número de viagens. “Mesmo com a faixa em apenas um trecho do trajeto, já conseguimos planejar melhorias. Se essa redução se consolidar, podemos ampliar entre 50 e 60 viagens nos dias úteis sem que elas atrasem, ou seja, é mais oferta de transporte público à população”, explica.
*Velocidade média atual dos ônibus é igual a do campeão da São Silvestre*
Os resultados observados na prática estão de acordo com às projeções do estudo técnico elaborado pela Semove, que estão servindo como base das alterações viárias na região central de Teresópolis. De acordo com a análise, a velocidade média dos ônibus na Avenida Lúcio Meira era de apenas 20,2 km/h, igual a do etíope Muse Gizachew, vencedor da última corrida de São Silvestre, em São Paulo. A expectativa é que, com a reorganização viária totalmente implantada, a velocidade média dos ônibus no trecho aumente para 25,3 km/h.
O impacto positivo também deve alcançar os automóveis. A estimativa é que a velocidade média dos carros nos horários de maior fluxo passe de 27,2 km/h para 35,2 km/h, representando um ganho de aproximadamente 30%. Para especialistas, a priorização do transporte coletivo é uma medida fundamental para melhorar a mobilidade urbana. O mestre em Engenharia de Transportes e professor titular do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, Glaydston Ribeiro, destaca que a medida segue princípios consolidados da área. “Do ponto de vista técnico, o transporte coletivo deve ser priorizado por transportar muito mais pessoas utilizando o espaço urbano de forma mais eficiente. Esse é um princípio amplamente reconhecido na Engenharia de Transportes”, afirma.
A professora do Cefet-RJ, Cíntia de Oliveira, reforça o impacto positivo na previsibilidade das viagens. “Quando reservamos espaço para o ônibus, melhoramos a fluidez do sistema coletivo e damos mais previsibilidade para quem depende dele diariamente”, explica.
A necessidade de intervenções como a faixa exclusiva também aparece na percepção dos próprios usuários. Na última pesquisa realizada pelo instituto WRI Brasil em Teresópolis, mais de 70% dos passageiros apontaram os congestionamentos como um dos principais problemas enfrentados no transporte público da cidade. De acordo com a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), existem no Brasil 238 faixas exclusivas em 41 cidades.
RAIO X do transporte coletivo em Teresópolis em 2025
15 milhões de passageiros transportados
7,5 milhões de embarques gratuitos (50% dos passageiros transportados)
429 mil viagens realizadas
6,5 milhões de km percorrido
94 ônibus
Foto: diulgação