Com a chegada da Semana Santa, período em que o consumo de peixe aumenta significativamente, é fundamental que os consumidores estejam atentos à qualidade e à segurança alimentar. Neste ano, a Associação Brasileira da Piscicultura projeta um aumento de 30% no consumo de pescados no Brasil. Tradicionalmente, esse crescimento está ligado à prática religiosa cristã, que recomenda a abstinência de carnes vermelhas, especialmente na Sexta-feira Santa, levando muitas pessoas a optarem pelo peixe como principal alternativa.
A nutricionista Juliana Marins Reeve, explica que, do ponto de vista nutricional, os peixes são excelentes fontes de proteínas de alto valor biológico, fornecendo ao organismo aminoácidos essenciais.
“Além disso, apresentam menor teor de gorduras — geralmente abaixo de 5% da composição —, sendo uma ótima opção para quem busca perda de peso. Ao mesmo tempo, são ricos em gorduras saudáveis, como o ômega 3 e em selênio, um poderoso antioxidante que contribui para a saúde cerebral, cognitiva e cardiovascular. Outro destaque é a presença de vitamina D, importante na prevenção da osteoporose”, observa.
A professora de Nutrição da Estácio destaca ainda que os peixes mais nutritivos e com maiores concentrações de antioxidantes e ômega 3 são aqueles com bom teor de gorduras saudáveis, como salmão, atum, sardinha e arenque. “O ideal é consumi-los duas a três vezes por semana, intercalando com peixes mais magros — especialmente para quem busca perder peso —, como tilápia, linguado, badejo, bacalhau, dourado e garoupa.”
Atenção na hora de comprar peixes
Para quem ainda não sabe escolher o peixe na hora da compra, a nutricionista ressalta que as principais características a serem observadas são: os olhos precisam estar cristalinos, salientes e brilhantes; as guelras em tom vermelho vivo ou rosado, odor suave de mar, carne firme — que retorna ao formato ao ser pressionada — e escamas úmidas, reluzentes e bem aderidas à pele.
Ela acrescenta que o cheiro também é um indicativo importante da qualidade. “O odor deve ser suave, nunca semelhante ao de amônia. Se o consumidor for comprar peixe em postas, pode solicitar o peixe inteiro para avaliar melhor as características e pedir que seja limpo e cortado na hora”, aconselha a mestre e doutoranda em Saúde Coletiva.
Para quem prefere comprar peixes congelados, a dica da nutricionista é verificar se a embalagem está intacta, sem furos ou rasgos, além de observar a presença excessiva de cristais de gelo, coloração irregular, manchas escuras ou acúmulo de água — fatores que podem indicar variações de temperatura.
Na hora do preparo, higiene também é importante
A escolha da forma de preparo varia conforme a preferência, mas Juliana recomenda optar por preparações cozidas, assadas ou grelhadas, por contribuírem para a redução do teor de gorduras, principalmente as saturadas.
Já sobre a higiene na hora do preparo, a nutricionista aponta algumas dicas importantes:
- Lavar as mãos antes e após a manipulação;
- Evitar lavar o peixe, para não espalhar bactérias pelo ambiente (exceto no caso de peixe inteiro, que deve ser limpo no momento da abertura). Se necessário, secar os filés com papel toalha;
- Manipular em superfícies não porosas (como inox ou granito) e utilizar tábuas e facas exclusivas para carnes cruas, higienizando tudo com água, sabão e solução clorada após o uso;
- Manter os peixes sob refrigeração até o momento do preparo;
- Evitar o contato do peixe cru com alimentos prontos para consumo, como verduras e legumes.