Dados recentes da Pesquisa de Saúde do Escolar apontam que quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já sofreram bullying
Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (ano 2024), divulgados no final do último mês de março pelo IBGE, mostraram dados alarmantes sobre o bullying escolar: 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos sofreram bullying na escola; e no caso das meninas, o percentual sobe para 43,3%. Entre os principais motivos da prática da violência, o estudo apontou: a aparência do rosto ou cabelo, com 30,2% dos casos; aparência do corpo, com 24,7%; e a cor ou raça, com 10,6%.
A pesquisa, que coletou depoimentos em escolas de todo o Brasil, apontou ainda que quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido alvos de bullying, e 27,2% dos alunos nessa faixa etária já sofreram alguma forma de humilhação duas ou mais vezes. N9 dia 7 de abril é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola e, segundo especialistas, muito ainda precisa ser esclarecido e pensado sobre o assunto.
A neuropsicopedagoga especialista em bullying em ambiente escolar, Carollini Graciani, explica que o bullying é caracterizado por atos de agressão e de intimidação repetitivos, uma prática de atos de violência física ou psicológica, intencionais e frequentes, que podem ser realizados por um indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas, com objetivo de intimidar ou humilhar, causando dor e angústia às vítimas.
“Existem várias formas do bullying acontecer dentro da escola, como discriminação, deboche, violência física ou psicológica, além do cyberbullying, que é quando essas atitudes acontecem nas redes sociais fora do ambiente escolar. Essa prática violenta causa diversos impactos na vida de crianças e adolescentes, como a queda de desempenho e evasão escolar, baixa autoestima, isolamento social, e problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, podendo chegar à ideação suicida”, acrescenta a profissional.
Carollini, que é professora do curso de Pedagogia da Estácio, explica ainda que as famílias precisam estar atentas a pequenos sinais do dia a dia desses jovens, para que possam detectar se o filho ou filha está sofrendo bullying na escola.
“Mudanças bruscas de comportamento, desinteresse, isolamento, tristeza, baixa autoestima, agressividade, irritabilidade, não querer ir para a escola, choro sem motivo aparente, material escolar ou uniforme escolar rasgados, além de hematomas pelo corpo, esses podem ser os primeiros sinais de que essa criança está sofrendo violência na escola. E por isso é importante que, cada vez mais, os pais dialoguem com seus filhos todos os dias, seja ao buscar na escola, seja no fim do dia, na hora de dormir”, enfatiza.
A pedagoga ressalta que para prevenir o bullying e a violência nas escolas é necessária uma parceria sólida entre as famílias e as instituições de ensino.
“As famílias precisam fortalecer esse filho diante das situações da vida, ajudá-lo a ter confiança e uma autoestima, informar sobre a prática do bullying para que ele possa detectar se vier a se tornar uma vítima, mas também precisar dialogar ensinando caráter e valores para que esse filho não se torne um praticante de bullying. Tudo isso sempre estabelecendo uma comunicação não violenta. Já a escola precisa ter protocolos de intervenção e sanções em casos de bullying, e deixar isso bem claro aos alunos e suas famílias, inclusive sobre o ciberbullying, pois muitas vezes começa dentro da escola e se estende para as redes sociais. Além disso, o papel da escola é criar projetos que sejam trabalhados em sala de aula ao longo de todo o ano, pois o bullying não é para ser abordado com os alunos apenas no Dia de Combate ao Bullying ou quando acontece um caso dentro dessa escola, isso é um trabalho que precisa ser feito no cotidiano escolar, com pequenas ações em sala de aula, com protocolos claros de sanções, com grandes projetos, levando um palestrante que possa falar sobre as consequências e a gravidade desse ato, entre outras ações. Tanto o trabalho da família quanto o da escola não podem ser pontuais, e para ser um trabalho efetivamente preventivo, ele precisa ser feito com diálogos no dia a dia e sempre respeitando essa parceria”, detalha a professora da Estácio.
Dicas de livros sobre bullying por faixa etária
Como forma de gerar discussão e fortalecer a reflexão entre crianças e adolescentes sobre o tema, a pedagoga Carollini Graciani indica algumas obras literárias respeitando cada faixa etária.
Para as crianças que estão na fase do Ensino Fundamental, ela sugere os livros que abordam o tema de forma lúdica: Este é o lobo (Alexandre Rampazo); E se fosse com você (Sandra Saruê); Bullying vamos sair dessa (Miriam Portela); Jane, a raposa e eu (Fanny Britt).
Já para os adolescentes que estão no Ensino Médio, as reflexões precisam ser mais aprofundadas, e a pedagoga indica as seguintes obras: Extraordinário (R. J. Palacio); Os 13 Porquês (Jay Asher); A Face Oculta (Maria Tereza Maldonado); Eleanor & Park (Rainbow Rowell).