Um dos marcos arquitetônicos mais simbólicos da cidade, a Casa de Petrópolis Instituto de Cultura atravessa um momento de renovação. Desde fevereiro, o interior do casarão histórico passa por uma transição administrativa e permanece fechado temporariamente. No entanto, o vigor cultural do espaço não parou: os famosos jardins projetados pelo botânico Auguste Glaziou continuam abertos à visitação gratuita, funcionando como um elo vital entre o público e a preservação do patrimônio.
Os jardins da Casa permanecem como um convite aberto aos petropolitanos e turistas. Eles desempenham um papel crucial na preservação de todo o complexo histórico, funcionando como uma extensão viva da manutenção do imóvel. Mesmo com o acesso ao interior temporariamente suspenso para visitação por causa da transição administrativa, a área externa garante que o vínculo da cidade com este patrimônio não seja interrompido.
A prova de que a Casa de Petrópolis segue pulsando foi o recente sucesso do concerto do Duo Brasil Universo. As violinistas Ana de Oliveira e Carol Panesi encantaram o público com uma apresentação que uniu a tradição do violino brasileiro à “Música Universal Brasileira” de Hermeto Pascoal. O evento, que marcou a estreia pública do projeto, mostrou que a curadoria da Casa continua focada em oferecer experiências artísticas de alto nível, transformando o salão histórico em um palco de inovação e diálogo entre gerações.
Um passado de pioneirismo e mistérios
Localizada na Rua Ipiranga, a construção da Casa começou em 1879 e foi concluída em 1884. O proprietário, José Tavares Guerra, idealizou o projeto após anos de estudo na Europa, unindo a estética do Velho Mundo à modernidade da época, tanto que a residência foi a primeira da cidade a contar com luz elétrica.
O projeto, assinado pelo alemão Karl Spangenberger e executado por mão de obra imigrante, deu origem a dois dos maiores mitos populares de Petrópolis:
– A “Casa dos 7 Erros”: O apelido surgiu de uma brincadeira dos condutores de charretes (Vitórias). Devido à fachada eclética e vitoriana propositalmente assimétrica, os turistas eram desafiados a encontrar as diferenças entre os lados da casa, o que acabou imortalizando o nome.
– A “Casa Mal Assombrada”: A lenda do fantasma da mulher com a vela no segundo andar tinha, na verdade, uma explicação bem real: Maria Lysia Tavares Guerra, a “Tia Loca”. Última moradora da família, ela viveu no local até 1981 e costumava circular pelos salões trancados à noite, preservando o imóvel exatamente como ele era no passado.
Cenário de Histórias Reais e Ficcionais
A beleza singular da Casa de Petrópolis também conquistou a teledramaturgia brasileira, servindo de cenário para novelas icônicas como Esplendor, Era Uma Vez e Direito de Amar.
Atualmente, o Instituto de Cultura reafirma que não é apenas um museu estático, mas um espaço de memória material e imaterial. Entre exposições, debates e concertos, a Casa de Petrópolis continua a ser uma alternativa indispensável para a vida cultural da cidade, honrando o passado enquanto planeja seus próximos passos.