Por Gabriel Rattes
Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizada nesta quinta-feira (09) em Teresópolis resultou na denúncia de 11 pessoas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratos e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o grupo teria desviado R$ 86,28 milhões do Instituto Rio Metrópole (IRM) por meio de contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em endereços na capital, em São Gonçalo e em Teresópolis.
De acordo com o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), a investigação teve início após uma acusada ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência bancária de Teresópolis. A partir da análise dos documentos e equipamentos apreendidos, os investigadores identificaram um esquema que, segundo o Ministério Público, utilizava empresas contratadas pelo IRM e o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), apontado como uma entidade sem estrutura operacional, para desviar recursos públicos e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Entre os presos está Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, atual presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM) e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti. Segundo o MPRJ, ele liderava o núcleo de servidores investigados, autorizando contratações, assinando contratos e controlando pagamentos. Outros cinco investigados tiveram mandados de prisão cumpridos e mais cinco denunciados responderão ao processo com medidas cautelares impostas pela Justiça.
A operação contou com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), do Ministério da Justiça, e da Corregedoria da Polícia Civil.
Investigação começou em Teresópolis
Segundo a denúncia apresentada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, o esquema foi descoberto após uma acusada ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência bancária de Teresópolis, em janeiro deste ano. A partir da análise do material apreendido, os investigadores identificaram 28 transferências das empresas contratadas pelo IRM para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), totalizando R$ 3,29 milhões.
De acordo com o Ministério Público, o Instituto BIO não possuía funcionários registrados, tinha capital social de R$ 0,00 e estrutura incompatível com os serviços contratados, sendo utilizado para receber parte dos recursos pagos às empresas contratadas pelo instituto.
Como funcionava o esquema
Segundo o MPRJ, empresas contratadas pelo instituto repassavam parte dos recursos ao Instituto BIO por meio de contratos simulados. Os valores eram transferidos para a conta do presidente da entidade, sacados em espécie e transportados com escolta armada.
O Ministério Público também afirma que auditoria da Controladoria-Geral do Estado identificou irregularidades nos contratos e na fiscalização dos serviços. Além da denúncia criminal, o órgão pediu o bloqueio de bens dos investigados e das empresas até o limite de R$ 86,28 milhões, o afastamento dos agentes públicos envolvidos e a suspensão dos contratos investigados.
A reportagem tentou contato com a defesa de Davi Perini Vermelho e do Instituto Rio Metrópole (IRM), mas não houve um posicionamento até o fechamento desta edição.