Selecionada pelo quarto ano consecutivo, bailarina carioca de 23 anos conquista o primeiro lugar no solo feminino no festival reconhecido pelo Guinness como o maior do mundo
O Rio de Janeiro teve uma única representante nos solos de sapateado da Mostra Competitiva do Festival de Dança de Joinville. E ela terminou a disputa no lugar mais alto do pódio. Sarah Coutinho, da La Danse Art & Cia, conquistou o primeiro lugar na categoria solo feminino sênior com a coreografia “Memória Inconsolável”.
O resultado consolida Sarah como um dos destaques do sapateado carioca e nacional, depois de quatro anos consecutivos representando o Rio como solista em Joinville.
Na noite deste sábado, 1/8, Sarah subirá novamente ao palco do festival para receber o troféu de primeiro lugar.
Quando a verdade se transforma em dança
“Memória Inconsolável” nasceu de um conflito vivido pela própria artista. Em uma criação autoral narrada com sua voz, Sarah fala sobre o amor pela dança desde criança, mas também expõe as dúvidas, os sentimentos e os momentos em que chegou a pensar em desistir.
A experiência pessoal foi transformada em linguagem cênica, unindo sapateado, interpretação e poesia. Para Sarah, conquistar o título justamente com uma obra tão íntima tornou o resultado ainda mais significativo.
“Quando anunciaram, passou um filme na minha cabeça. São dez anos participando do palcão e quatro anos consecutivos como solista. Eu criei esse número em um momento de conflito comigo mesma, e ver essa verdade me trazer uma premiação tão desejada mudou o sentido de tudo”, conta.

Uma trajetória construída dentro da La Danse
A história de Sarah com a dança começou aos dois anos, quando chegou à La Danse Art & Cia, no Recreio dos Bandeirantes. Ela cresceu dentro da escola, formou-se bailarina e, aos 15 anos, começou a receber oportunidades como coreógrafa. Hoje, é professora, coreógrafa e uma referência para os alunos que acompanham sua trajetória.
À frente dessa formação está Patrícia Taranto, diretora geral e artística da La Danse e mentora de Sarah. Foi Patrícia quem abriu espaço para que a então aluna pudesse estudar, criar e desenvolver o próprio trabalho dentro da escola.
“A Patrícia sempre me deu muitas oportunidades e espaço para trabalhar e estudar. Foi uma grande mentora, sempre me apoiou e também puxou minha orelha. É uma das pessoas que eu chamo de anjo”, afirma Sarah.
Fundada em 1994, a La Danse completa 32 anos de atuação na formação de bailarinos. A vitória de uma artista que entrou na escola ainda criança e hoje ajuda a formar uma nova geração evidencia a continuidade do trabalho desenvolvido pela instituição.

Uma seleção entre milhares de trabalhos
Reconhecido pelo Guinness World Records como o maior festival de dança do mundo em número de participantes, o Festival de Dança de Joinville recebeu, nesta edição, o número recorde de mais de 6,1 mil coreografias inscritas em suas diferentes frentes.
Os trabalhos passam por uma seleção prévia em vídeo, realizada meses antes do evento. Cerca de 240 coreografias chegam à Mostra Competitiva, apresentada em nove noites. Nesse processo altamente restritivo, Sarah foi a única solista de sapateado do estado do Rio de Janeiro aprovada para a competição principal.
A bailarina participa do chamado “palcão” de Joinville desde 2016. Em 2026, chegou ao quarto ano consecutivo como solista e transformou uma trajetória de insistência no primeiro lugar mais desejado de sua carreira.

Dois pódios para a escola carioca
A La Danse encerrou a competição com dois lugares no pódio. Além do título de Sarah, o conjunto júnior conquistou o terceiro lugar no sapateado, com média 9,73 e também uma nota dez.
A conquista de Sarah foi acompanhada de perto pelos próprios alunos, que fizeram camisas e organizaram uma torcida para a professora. Segundo a campeã, eles foram “pé-quentes” e ajudaram a trazer o prêmio para o Rio de Janeiro.
Mais do que uma vitória individual, o primeiro lugar coloca em evidência a força do sapateado produzido no Rio e uma artista que, depois de crescer dentro de uma escola carioca, passou a formar novos talentos sem deixar de construir a própria história no palco.
Foto Divulgação