Em novembro, se celebra a Doação Voluntária de Sangue, essencial para reforçar a conscientização sobre a importância de um gesto simples, rápido e capaz de salvar vidas todos os dias. Em um momento em que a demanda por sangue se mantém constante em todo o país, profissionais de saúde alertam para a necessidade de ampliar o número de doadores regulares e garantir estoques seguros para atender cirurgias, emergências e tratamentos complexos.
A doação voluntária é uma das bases do sistema de saúde. Cada bolsa pode beneficiar até quatro pessoas e faz a diferença, especialmente, em situações críticas. Segundo a hematologista Dra. Jéssica Mussel, do Hospital Santa Teresa, o impacto é direto e imediato: “A doação de sangue é essencial em cirurgias, tratamentos oncológicos, emergências e doenças hematológicas”, explica a profissional.
A necessidade é permanente e alguns tipos sanguíneos são ainda mais estratégicos. O tipo O negativo, considerado doador universal, é indispensável em atendimentos de urgência, enquanto o O positivo, mais comum na população, é o mais utilizado no dia a dia. Em períodos de feriados, grandes deslocamentos e férias escolares, a queda no número de doadores costuma coincidir com o aumento da demanda. Para manter o atendimento seguro, a médica reforça que é fundamental que as doações ocorram de forma contínua ao longo do ano.
Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos, com mais de 50 kg e em boas condições de saúde. A primeira doação, no entanto, precisa ser realizada até os 60 anos, e menores de idade devem apresentar autorização dos responsáveis. Antes da doação, recomenda-se evitar jejum, comidas gordurosas e bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores; depois, é importante hidratar-se, fazer refeições leves e evitar esforço físico. “As pessoas têm muitos receios que não se justificam. O medo de fraqueza ou de que o sangue vai ‘fazer falta’, por exemplo, ainda afasta alguns possíveis doadores, mas isso é mito, o corpo saudável repõe tudo rapidamente”, esclarece.
O caminho do sangue doado segue um fluxo rigoroso de segurança até chegar ao paciente. Após cadastro e triagem, a coleta é realizada e o material passa por testes laboratoriais que verificam a qualidade e segurança. Em seguida, a bolsa é separada em componentes, como plaquetas, plasma e hemácias, e encaminhada às unidades de saúde conforme a necessidade. “Em poucos dias, aquela bolsa já pode estar salvando alguém”, destaca a especialista.
Para a hematologista do Hospital Santa Teresa, é fundamental mobilizar a sociedade e lembrar que o ato de doar vai muito além da coleta em si, representa o compromisso coletivo com a vida. “Doar sangue é um gesto simples, solidário e que transforma vidas todos os dias. É crucial que as pessoas contribuam para manter os estoques estáveis, garantindo que nenhum paciente fique sem atendimento quando mais precisa.”, conclui a Dra. Jéssica Mussel.