O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Branco, iniciativa nacional dedicada à conscientização sobre a saúde mental e emocional da população. Em um cenário de aumento dos níveis de estresse, ansiedade e adoecimento psíquico, especialistas reforçam que a prevenção, o reconhecimento precoce dos sinais e o acesso ao cuidado adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida.
Segundo o Dr. Jayme Eduardo, médico que atua na área de psiquiatria do Hospital Santa Teresa, é fundamental observar mudanças graduais e persistentes na forma como a pessoa se sente, se comporta e lida com as demandas do dia a dia. Sintomas como abatimento emocional, ansiedade constante, irritabilidade frequente, perda de motivação, alterações relevantes no padrão de sono, cansaço excessivo, queda de concentração, afastamento do convívio social e mudanças no apetite merecem atenção e avaliação profissional. “Alterações persistentes no humor, no sono e no comportamento nunca devem ser ignoradas, pois podem indicar o início de um adoecimento em saúde mental”, alerta.
Entre os fatores que mais contribuem para o adoecimento mental estão o excesso de trabalho, a pressão por metas, a sobrecarga emocional, dificuldades financeiras, conflitos interpessoais e o uso desregulado das redes sociais. O início do ano, marcado por cobranças por desempenho e reorganização da rotina, tende a intensificar esses fatores. Para o especialista, esse contexto favorece quadros como ansiedade, depressão e esgotamento profissional. “Burnout não é apenas cansaço: trata-se de um quadro de estresse crônico relacionado ao trabalho, com exaustão persistente, distanciamento emocional e sensação de ineficácia como se nada rendesse mesmo com muito esforço. Esse quadro costuma vir acompanhado de piora do sono, dificuldade de concentração e queda de desempenho”, explica Dr. Jayme Eduardo.
A campanha também chama atenção para o impacto do estigma, que ainda leva muitas pessoas a adiarem a busca por ajuda profissional. Normalizar o sofrimento, acreditar que “vai passar sozinho” ou enxergar o cuidado com a saúde mental como sinal de fraqueza são barreiras frequentes que atrasam o diagnóstico e tornam o tratamento mais complexo.
A prevenção envolve atitudes simples, mas consistentes, ao longo do ano. Manter uma rotina de sono regular, praticar atividade física, reduzir o tempo de telas à noite, organizar tarefas de forma realista, fortalecer vínculos sociais e buscar apoio profissional quando necessário são estratégias fundamentais. “Cuidar da saúde mental é um processo contínuo, que exige atenção diária e não deve ficar restrito apenas ao mês de janeiro”, destaca o Dr. Jayme Eduardo.
O acesso à rede pública de atenção à saúde mental pode ser feito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que realizam acolhimento inicial sem necessidade de agendamento. Em situações de crise, unidades de pronto atendimento e hospitais também são portas de entrada para o cuidado.
Assim como acontece com outras condições de saúde, o diagnóstico precoce e a intervenção adequada à saúde mental aumentam as chances de recuperação, reduzem prejuízos sociais, familiares e profissionais e contribuem para uma vida mais equilibrada. O médico do Hospital Santa Teresa reforça que “falar sobre saúde mental, buscar ajuda e adotar hábitos de cuidado são atitudes fundamentais para a qualidade de vida”.