Embora o Morro da Oficina tenha sido o epicentro da tragédia, pessoas continuam morando ao redor da área colapsada | Foto: Thiago Alvarez/CM
Por Richard Stoltzenburg
Neste sábado, 15 de fevereiro, completam três anos da maior tragédia socioambiental de Petrópolis, e que deixou 235 mortes e dois desaparecidos, mas além disso, marcas que não sairão da memória de quem passou por aquele fatídico dia. O primeiro distrito foi o alvo de 259,8 mm de chuva e que deixou as localidades Alto da Serra, Vila Felipe, Chácara Flora, Sargento Boening, Castelânea, Rua Teresa, Caxambu e centro, irreconhecivies.
A dimensão do desastre foi sendo notado ao baixar das águas… corpos agarrados entre troncos e pontes, em frente ao Obelisco, carros, ônibus arrastados, amultuados como papel. Um cenário de guerra! Mas a proporção definitiva do que tinha acontecido, só foi possível no dia seguinte.
De acordo com a Defesa Civil de Petrópolis, foram 10,7 mil ocorrências registradas e alguns locais ainda apresentam cenários similares, mesmo após três anos. O local mais afetado foi o Morro da Oficina, na região do Alto da Serra, em que 93 pessoas morreram e foi o epicentro da tragédia. Hodiernamente obras ainda são realizadas no local. A equipe do Correio Petropolitano visitou o espaço e ainda nota que itens, objetos pessoais das vítimas, continuam no mesmo lugar.
As obras do Morro da Oficina são realizadas por meio de um empréstimo da prefeitura, durante a gestão Bomtempo, com a Caixa Econômica Federal e orçadas em mais de R$ 80 milhões. As obras da no Morro da Oficina foram divididas em três etapas áreas: área 1 (entre o Hipershopping e a Rua Hercília Moret), área 2 (entre as ruas Professora Hercília Moret e Frei Leão) e área 3 (do início da Rua Frei Leão até a Rua Oswero Vilaça). A entrega das intervenções está atrasa.
Contudo, não é o único local em que os resquícios permanecem. No Vila Felipe e Caxambu e casas atingidas se camuflam em meio a vegetação que cresce ao redor. Segundo a prefeitura de Petrópolis, das obras de 2022, ou seja, iniciadas durante a última gestão, 20% ainda precisam ser concluídas.
O Governo do Estado também auxiliou com envio de equipamentos e foi responsável por parte das obras da cidade. Entre elas da Rua Nova, Cond’eu, Rua Olavo Bilac e do Túnel Extravasor, no Quissamã. Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas do Estado, as obras estão em reta final e passam de 90% de conclusão. Foram R$ 282,9 milhões em investimentos, após as chuvas de 2022. Na Avenida Portugal, onde foram feitas obras de contenção, recuperação da cobertura vegetal do morro e drenagem, os moradores se sentem mais seguros ao passar pela rua. A Avenida Washington Luiz recebeu obras para garantir o tráfego de motoristas e pedestres. Nesse trecho, foram R$ 54,9 milhões na recuperação da canalização do Rio Quitandinha, com a construção de uma contenção de encostas e a reconstrução de calçadas e pavimentação da via.
Porém , moradores da Rua Nova temem novas ocorrências de deslizamento na localidade. Em dezembro do ano passado, realizaram uma manifestação cobrando uma medida para garantir a segurança no local. A obras já tinha sido algo de denúncia em 2024, quando em janeiro o MPRJ ajuizou uma ação civil publica para complementação das obras na Rua Antônio Soares Pinto.
Política habitacional
Apesar das intervenções paliativas, a cidade ainda precisa de novas obras de prevenção. De acordo com o mapa de risco geológico de Petrópolis, produzido pelo Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ), 15.168 casas estão em locais de risco. O estudo apontou 1.755 setores de risco. Além desses índices cerca de três mil famílias atingidas por diferentes tragédias socioambientais na cidade, ainda aguardam por um novo lar. Segundo Cláudia Renata, líder do Movimento Aluguel e Moradia de Petrópolis, muito ainda precisa ser feito. “Infelizmente não temos um plano habitacional e faltou muito isso nos últimos 30 anos. Sabemos do relevo de Petrópolis e hoje o programa Minha Casa Minha Vida é voltado mais para as famílias atingidas e é preciso que seja ampliado, pois muitos pagam aluguel e moram em locais de risco. Além disso, da conscientização das pessoas, em conjunto com ações de educação ambiental”, explica.
Iniciativas da
Nova Gestão
Com investimento de R$30 milhões, no dia 30 de janeiro deste ano, o contrato que deve garantir a construção de 140 novas moradias no bairro Mosela. A previsão é que as intervenções sejam finalizadas até o fim do primeiro semestre de 2027. O contrato foi firmado entre o município, Estado e Caixa Econômica Federal. “Essa é a primeira vez, das cinco que já anunciaram, que a assinatura é realizada aqui em Petrópolis. Estamos ainda aguardando também unidades para o Benfica e Cuiabá”, completa Cláudia Renata, que também participou da solenidade e assinou o contrato.
Apesar de alguns avanços, o dia 15 de fevereiro de 2022 apresentou uma nova realidade para os petropolitanos e a necessidade emergente de se buscar por parcerias e ações para prevenção da cidade.