O avanço dos golpes financeiros no ambiente digital tem exigido atenção redobrada dos consumidores em todo o país — e em Petrópolis a preocupação também é crescente. Dados de uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil indicam que metade dos brasileiros foi vítima ou alvo de tentativa de fraude nos últimos 12 meses, o que representa cerca de 18,8 milhões de pessoas. Diante desse cenário, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL) reforça o alerta para que consumidores e comerciantes estejam atentos às novas formas de abordagem utilizadas por criminosos, cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar.
Entre os golpes mais comuns está o pagamento antecipado por produtos ou benefícios que nunca são entregues, responsável por 7% das ocorrências. Também são frequentes as fraudes envolvendo transferências para compras em anúncios falsos, muitas vezes divulgados em redes sociais clonadas de amigos ou conhecidos (6%), além de transferências para falsos contatos (5%). Invasões de contas em lojas online e clonagem de cartões também aparecem entre os principais registros.
As estratégias de abordagem mais utilizadas incluem o envio de links falsos para pagamento de produtos (17%), boletos fraudulentos de contas de consumo, como luz e telefone (9%), e pedidos de transferência via PIX feitos por criminosos que se passam por conhecidos (6%).
Para o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, o crescimento desses casos está diretamente ligado à rapidez das transações digitais. “A tecnologia trouxe praticidade, mas também reduziu o tempo de reflexão do consumidor. Hoje, uma decisão tomada em segundos pode resultar em prejuízos significativos. Por isso, é fundamental desenvolver um comportamento mais cauteloso e crítico diante de qualquer solicitação financeira”, afirma.
Apesar do aumento das fraudes, a pesquisa mostra que os consumidores têm reagido com maior atenção. Cerca de 49% afirmam desconfiar de contatos estranhos ou ligações de números desconhecidos, enquanto 45% evitam propostas de dinheiro fácil. Ofertas muito abaixo do preço de mercado e sites não confiáveis também despertam suspeita em mais de 40% dos entrevistados.
28% dos consumidores não conseguiram recuperar o dinheiro perdido
Após sofrerem golpes, 88% das vítimas buscaram alguma forma de solução. A negociação direta com instituições financeiras foi o caminho mais adotado (31%), seguida pelo registro de boletim de ocorrência (26%) e contato com operadoras de cartão (24%). Ainda assim, 28% dos consumidores afirmam não ter conseguido recuperar o dinheiro perdido.
O impacto das fraudes vai além do prejuízo imediato. Segundo o levantamento, 34% das vítimas tiveram o nome negativado em decorrência dos golpes, enquanto parte delas precisou recorrer a auxílio jurídico para tentar reverter a situação.
Para Cláudio Mohammad, a prevenção é o principal caminho. “O consumidor precisa utilizar todos os mecanismos de segurança disponíveis, como cartões virtuais, autenticação em duas etapas e biometria. Além disso, é essencial evitar redes Wi-Fi públicas para transações financeiras e nunca agir por impulso diante de mensagens com senso de urgência”, orienta.