Manifestantes deixaram a Secretaria de Educação e seguiram em caminhada até a sede da Prefeitura
Por Gabriel Rattes e Johnnata Joras
Profissionais da Rede Municipal de Educação de Petrópolis realizaram uma manifestação nesta quinta-feira (10), durante a paralisação de 24 horas convocada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE/Petrópolis). O ato começou em frente à Secretaria de Educação, na Praça da Águia, e reúne servidores que cobram avanços nas negociações com o município.
Por volta das 15h10, os manifestantes começaram a caminhar pelo Centro da cidade em direção à sede da Prefeitura de Petrópolis. O deslocamento faz parte da mobilização da categoria, que está em estado de greve desde o fim de agosto. O calendário de mobilização divulgado pelo SEPE previa a paralisação nesta quinta-feira (10) e novos atos ao longo do mês.
Reivindicações
Entre as principais reivindicações estão o reajuste salarial, o pagamento do piso nacional do magistério, mudanças no vale-alimentação e a regularização dos enquadramentos funcionais. Segundo o sindicato, a categoria defende uma correção de pouco mais de 13%, enquanto a Prefeitura teria apresentado proposta de 4,64%, com pagamento previsto somente a partir de janeiro. Os profissionais também cobram o aumento do vale-alimentação, atualmente pago por meio do cartão Ypê Social, de R$ 100 para R$ 150.
Outro ponto levantado pelo sindicato é o andamento dos enquadramentos funcionais. Segundo o SEPE, a proposta apresentada pelo município prevê o pagamento para cerca de 100 servidores por mês, número considerado insuficiente diante da demanda. A categoria ainda aponta problemas relacionados à estrutura das unidades de ensino e à falta de insumos para o desenvolvimento das atividades.
Pagamento dos aposentados
Também está entre as reivindicações a regularização do pagamento dos servidores aposentados da Educação. Na quarta-feira (9), o SEPE informou ter ajuizado uma Ação Civil Pública para pedir a regularização imediata dos proventos dos aposentados.
Na ação, o sindicato pede multa diária ao prefeito Hingo Hammes e ao diretor-presidente do INPAS, Alex Christ, além da possibilidade de bloqueio das contas do Município e do instituto em caso de descumprimento. O SEPE afirma que os atrasos prejudicam diretamente aposentados que dependem dos proventos para despesas básicas.
Assembleia
O estado de greve foi aprovado por unanimidade em assembleia realizada em 26 de agosto. Na ocasião, o sindicato definiu um calendário de mobilizações, que incluiu reuniões nas escolas, assembleias, atos públicos e a paralisação de 24 horas desta quinta-feira.
O que diz a Prefeitura?
Em resposta ao Correio Petropolitano, a Prefeitura de Petrópolis informou que acompanha a paralisação desta quinta-feira e que segue em negociação com a categoria.
Segundo o município, a proposta apresentada aos servidores foi construída após diversas reuniões e teria resultado em um acordo aprovado pelos representantes das categorias de servidores, incluindo o sindicato dos profissionais da Educação. A Prefeitura afirma que o SEPE participou das discussões e havia sinalizado adesão aos termos e ao projeto de lei que seria encaminhado à Câmara Municipal.
O governo municipal disse não compreender o recuo do sindicato neste momento e afirmou que a mudança de postura “surpreende” a administração. A Prefeitura também destacou a convocação de mais de 1.600 novos servidores para a Educação por meio de concurso público e o reenquadramento dos secretários escolares.
Sobre o reajuste, o município afirmou que os servidores não receberam recomposição em 2024 e que, em 2025, foi concedido reajuste de 8%, segundo a administração, com responsabilidade fiscal. A Prefeitura informou ainda que as negociações relacionadas ao programa Todos Somos Professores ocorrem separadamente, com reuniões frequentes, inclusive uma que estava prevista para esta quinta-feira (10).
Diante da paralisação, a Secretaria de Educação orientou as unidades da rede a avaliarem o número de profissionais presentes e informarem as famílias sobre eventual funcionamento parcial das turmas ou adequações de turno. A Prefeitura também informou que as aulas e os conteúdos suspensos serão repostos para garantir o cumprimento dos 200 dias letivos.
O município orienta pais e responsáveis a procurarem diretamente as secretarias das escolas para obter informações sobre o funcionamento de cada unidade. A Prefeitura afirmou ainda respeitar o direito de manifestação da categoria e manter abertos os canais de diálogo com os profissionais.
Foto: Johnnata Joras