Petrópolis é reconhecida por seu estilo Imperial e seu clima europeu que com o passar do tempo escondeu todas as marcas e contribuição do povo preto, a cidade possui monumentos, ruas, quilombos que foram erguidos por negros, mas historicamente embranquecidos negligenciando sua origem. Com o intuito de resgatar, reafirmar e manter vivo os feitos, o Museu de Memória Negra de Petrópolis nasceu para reivindicar a presença negra no tempo e no espaço histórico da cidade. O Projeto surgiu dentro do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)e foi idealizado em 2021 de forma virtual por um de seus criadores, Filipe Graciano Neves. Atualmente o espaço continua virtualmente e conta com a ajuda de 7 colaboradores.
O Museu tem como princípio manter viva e ampliar a cultura Afro-Brasileira, criando um espaço para mulheres e homes negros terem como referência dentro da cidade, o projeto reivindica narrativas e promove ações para que os afros-petropolitanos se reconheçam e se sintam representados em todos os lados, o espaço luta contra o apagamento e traz à tona o protagonismo preto para cena. Segundo Filipe trazer a memória reivindicando no tempo e espaço as presenças negras em suas mais diversas formas de existir e reexistir, para além dos limites que nos isolam. Para ele, essa movimentação é um dispositivo possível de trabalho da memória e consolidação da identidade negra no espaço de disputas da cidade. “Fazemos do museu um lugar de comunicação e de educação, o lugar da pesquisa e da ciência, o lugar da guarda, cuidado, proteção e afetos da memória.”, disse.
Dentro do museu virtual há uma Cartografia de Presença, onde conecta a história do território à memória negra, numa busca por promover uma outra dimensão espacial das presenças. São demarcados na cartografia os quilombos existentes, praças, igrejas, monumentos, murais, bairros, antigos mercados, ruas e casarões que tiveram sua construção, pavimentação ou povoamento organizados por escravizados e negros livres na época do levantamento da cidade.
Dentro dos espaços que sofreram total apagamento tem uns que são bem conhecidos pelos petropolitanos e turistas, porém não da forma como foram criados, por exemplo o atual palácio de Cristal que serve hoje como um local sediador de eventos principalmente para a Bauernfest, antigamente o espaço era o Quilombo Central, e a Igreja do Rosário, foi levantada por escravos e na época era conhecida como Igreja do Rosário dos Homens Pretos. Além de relembrar o passado, o Museu reafirma os espaços que ainda resistem na cidade, como o Quilombo da Tapera que nasceu por meio de Dona Sebastiana Augusta da Silva Correia, Matriarca do Quilombo.
Sebastiana viveu 120 anos, era rezadeira e conhecedora de ervas medicinais, ela foi escravizada e viveu na cidade imperial. As terras onde o Tapera foi fundado, foram doadas pelo o seu senhor em testamento, pois Augusta foi ama da Fazenda Santo Antônio. A cidade tinha apenas 4 anos quando o quilombo nasceu, e esse espaço resiste até hoje onde os seus descendentes vivem e mantém a história e os conhecimentos.
Por *Leandra Lima/imagem de acervo do Museu/ título: Presença Negra