Após onze edições sob a organização da Associação de Motociclistas de Petrópolis, o Imperial Moto Fest chegou ao fim. No lugar, um evento, em novo formato, que não agradou os motoclubes que, antes, lotavam o Parque Municipal Prefeito Paulo Rattes, em Itaipava. Motoclubes de todo o estado e a Associação dos Expositores do Brasil não compareceram à edição do Petrópolis Moto Fest que aconteceu neste fim de semana e, em represália, iniciaram uma campanha pelo boicote à Itaipava.
A Associação dos Expositores do Brasil divulgou uma nota esclarecendo os motivos da ausência, disse que em virtude de mudanças de última hora e exigências “descabidas” por parte da organização, optaram pela não participação. Entre as mudanças que, segundo a Associação, foram divulgadas faltando cinco dias para o início, estavam: a proibição do camping no Parque e a exigência do aluguel de máquinas de cartão de crédito da organização ao invés de usar as dos barraqueiros.
Segundo Moisés Cravo, presidente da Associação, para os quinze barraqueiros já confirmados ficou inviável a participação sem o camping, já que ficam instalados em tendas, um espaço vulnerável para as suas mercadorias, ficando sujeitas à chuva e furtos. Sobre as máquinas de cartão, Moisés explicou que a organização exigiu o aluguel do equipamento e que ficariam com 20% da arrecadação. “O dinheiro das vendas não ficaria na mão do trabalhador, mas na mão da organização”, disse.
Nas edições anteriores, além do camping, havia um café da manhã que, segundo os motociclistas, era um momento importante de confraternização, parte d o que chamam de “essência dos eventos de motoclubes”. A proibição do camping foi feita pela Prefeitura, que informou que a mudança foi aprovada no regimento interno do Comitê Gestor do Parque (órgão composto por representantes da sociedade civil e do governo municipal) e também no contrato firmado com os organizadores dos eventos, é vedado acampamento no local.
Com o boicote, o evento que atraia até 50 mil pessoas em três dias de realização caiu pela metade. Segundo a organização, foram 25 mil pessoas nesta edição. Já em relação aos motoclubes, apenas 98 se inscreveram e 3 mil motociclistas participaram. Segundo Moisés, o evento já teve 1 mil motoclubes inscritos. Um exemplo, na edição de 2019, foram 825 motoclubes inscritos e 35 mil pessoas entre motociclistas e visitantes.
O Correio entrou em contato com a organização do evento que afirmou que apesar do ocorrido, cerca de 3 mil motos e 98 motoclubes estiveram presentes e que todos os participantes receberam certificado de participação.