A criação de políticas públicas que beneficiem as mulheres trabalhadoras, que acumulam funções no mercado de trabalho e também se dedicam ao cuidado do lar e de familiares sempre foi uma das pautas do mandato da vereadora Júlia Casamasso, representante da Coletiva Feminista Popular.
Pensando em desonerar a carga de trabalho das mulheres, a parlamentar criou uma emenda legislativa para a criação de lavanderias comunitárias, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Esta demanda fazia parte do programa de campanha da Coletiva e, recentemente, foi incluída na Lei de Orçamento Anual (LOA) 2024, do município, e que será votada nesta quinta-feira (21) na Câmara. A iniciativa irá ajudar, pelo menos, cinco mil pessoas por meio da criação de dois desses espaços em bairros da cidade, que ainda serão escolhidos.
“Nós mulheres, mães, sofremos com jornadas duplas, triplas jornadas de trabalho. Esse trabalho invisível de cuidado nos onera muito mais do que aos homens, por isso, o nosso objetivo por meio do mandato feminista popular é socializar o trabalho de cuidado, para que não seja mais responsabilidade apenas das mulheres. É muito importante que os equipamentos públicos, que o estado se responsabilize por esse cuidado que é desenvolvido, majoritariamente, por mulheres”, destaca Júlia.
Ao pesquisar sobre o assunto, o mandato encontrou experiências positivas, já realizadas no Brasil, em municípios dos estados do Ceará e de São Paulo, nos quais as lavanderias comunitárias são administradas por cooperativas e as Prefeituras arcam com os custos do espaço (luz, água e subsidia o aluguel ou fornece o espaço).
Só em Fortaleza (CE), são seis unidades dessas lavanderias espalhadas pela cidade. Ativas há mais de 25 anos, os espaços funcionam com a inclusão produtiva das mulheres, a maioria delas na terceira idade.
Em Santos (SP), há uma lavanderia comunitária, cujo funcionamento há oito anos já beneficiou mais de 50 lavadeiras e ajudou outras tantas a se inserirem no mercado de trabalho formal, após se capacitarem por meio do programa.
“Iniciativas como essa são fundamentais, especialmente, para mulheres de pouca renda, que vivem em bairros mais afastados do centro e, muitas vezes, não têm acesso a serviços como os de lavanderia ou não têm renda para arcar com os custos desse equipamento doméstico tão caro. Desonerar o trabalho dessas mulheres e garantir que tenham mais tempo para investir nelas mesmas, na construção da sua autonomia, essa é uma das lutas do nosso mandato. Continuaremos buscando soluções para que haja políticas públicas que atendam as necessidades das mulheres trabalhadoras, que melhorem suas vidas”, destaca a vereadora.