Garantir segurança no atendimento de quem vive nas ruas é o ponto de partida de uma iniciativa inédita lançada nesta quarta-feira (29) pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). Voltado a esse público exposto a vulnerabilidades extremas, o novo manual de segurança do paciente é um instrumento técnico para qualificar o cuidado e tornar a assistência mais equânime em todo o estado.
O material, direcionado a profissionais da rede pública, especialmente os que atuam no Consultório na Rua (CnaR), orienta desde a abordagem até a realização de procedimentos em contextos de alta complexidade social. Atualmente, o estado conta com 44 equipes e 355 profissionais dedicados a esse tipo de atendimento, que conecta o território da rua aos serviços de saúde.
Na abertura do evento, a superintendente de Atenção Primária à Saúde, Halene Armada, destacou que o documento preenche uma lacuna histórica na assistência. “É um manual inédito no Brasil. Essa população já vive em condições de vulnerabilidade e está mais exposta a eventos adversos, muitas vezes por falta de acesso ao básico, como alimentação e informação”, explicou.
O documento traz orientações práticas sobre, por exemplo, identificação segura, que é, segundo a gestora, um desafio frequente quando o paciente não possui documentos ou não permanece em um único território. Outros pontos abordados são comunicação eficaz, uso correto de medicamentos e adequação da infraestrutura de atendimento. O manual também propõe reflexões sobre como a própria organização dos serviços pode, sem intenção, reforçar desigualdades.
Durante o lançamento, a equipe da Atenção Primária à Saúde da SES-RJ também discutiu os critérios de prioridade no atendimento, considerando não apenas a gravidade clínica, mas a vulnerabilidade social, que muitas vezes impede o retorno do paciente ao serviço. Também teve destaque a importância do encontro como espaço de troca entre as equipes que atuam diretamente nas ruas.
Para o coordenador do Consultório na Rua em Magé, Airton Cunha, reunir profissionais de diferentes territórios permite identificar desafios comuns e alinhar práticas. Segundo ele, o apoio do Estado é fundamental para orientar o trabalho das equipes e garantir um padrão de atuação mais seguro e eficaz.
“As mesmas questões que a gente enfrenta em um município também aparecem em outros. Por isso, esses encontros ajudam a dar um norte, seja com o lançamento do manual ou com indicadores recentes. A ideia é fortalecer um cuidado continuado, integral, e não apenas ações pontuais. A padronização é essencial para que todas as equipes atuem com segurança, independentemente do território ou da população atendida”, considerou.
Já o coordenador do Consultório na Rua em Três Rios, Guilherme Reis, destacou o impacto prático das capacitações no dia a dia das equipes. Ele contou que acompanha os encontros regularmente e que, a cada edição, consegue levar novos aprendizados para aplicar no território.
“Nem tudo a gente consegue implementar de imediato, mas sempre levamos algo que dá para colocar em prática. É uma troca muito rica. A iniciativa é muito bacana e amplia o acesso das equipes”, completou.