Por: Gabriel Rattes
O empresário Rogério Modesto, responsável pelo TereTrem da Alegria, criticou o decreto publicado pela Prefeitura de Teresópolis que regulamenta as infrações e penalidades aplicáveis aos operadores de trenzinhos turísticos. Segundo ele, apesar de concordar com a necessidade de fiscalização e de regras para o setor, a nova regulamentação foi elaborada sem a participação dos profissionais envolvidos e, na prática, não permite a retomada das atividades.
À frente do TereTrem da Alegria há cerca de 30 anos, Rogério destaca que o empreendimento possui reconhecimento histórico na cidade. “Somos o único trenzinho turístico do Brasil tombado como patrimônio cultural e imaterial de um município. Construímos uma história em Teresópolis e sempre defendemos a organização do setor”, afirmou.
Entenda o caso
Após aprovação da Câmara Municipal, a Prefeitura de Teresópolis publicou recentemente o Decreto nº 6.714/2026, que regulamenta as infrações e penalidades aplicáveis aos trenzinhos turísticos. A norma complementa mudanças aprovadas pela Câmara Municipal, que passaram a exigir processos públicos para a escolha dos operadores e ampliaram as regras de fiscalização, segurança e regularidade fiscal. O decreto prevê advertências, multas, suspensão e até cancelamento das licenças em caso de irregularidades.
A regulamentação foi elaborada após a suspensão das atividades dos trenzinhos turísticos em janeiro deste ano. Na ocasião, a Prefeitura anunciou a interrupção do serviço por tempo indeterminado após uma série de conflitos entre operadores na Feirarte, no Alto. À época, a Prefeitura informou que os trenzinhos só voltariam a operar após a criação de novas regras para garantir a segurança dos usuários e preservar o ambiente familiar no principal ponto turístico da cidade.
Interrupção da operação
O empresário, porém, contesta a forma como ocorreu a paralisação das atividades. Segundo ele, a paralisação não teve relação com questões de segurança ou irregularidades operacionais. “Sempre tivemos seguro para terceiros, vistorias em dia, documentação regular, motoristas habilitados e recolhimento de ISS por meio das notas fiscais. Inclusive atendemos escolas municipais. Estamos há seis meses sem trabalhar e buscando na Justiça o direito de voltar a operar”, disse.
Rogério afirma ter ingressado com uma ação judicial para retomar as atividades e sustenta que foi alvo de acusações que, segundo ele, não se confirmaram. “Fui acusado publicamente de fatos que não cometi. Estamos respondendo judicialmente e apresentando toda a documentação necessária. Não houve fundamento para a paralisação da forma como aconteceu”, declarou.
Outro ponto questionado pelo empresário é a condução do processo de regulamentação. De acordo com ele, operadores do setor não teriam sido consultados durante a elaboração das novas regras. Apesar das críticas, Rogério afirma ser favorável a diversos pontos do decreto. “Sempre pedi mais segurança e regulamentação. Sou favorável às exigências que garantem segurança para passageiros e para a atividade. O problema é que não houve diálogo com quem trabalha no setor e o decreto possui falhas que precisam ser discutidas”, afirmou.
Utilização da estação
O empresário também questiona propostas debatidas nos últimos meses envolvendo a utilização de uma mesma estação por operadores distintos. Segundo ele, se os conflitos entre trenzinhos foram utilizados como justificativa para a suspensão das atividades, não faria sentido reunir concorrentes em um único ponto de embarque. “Não vejo lógica nisso. Se o argumento era evitar problemas, por que colocar os dois trenzinhos juntos justamente na estação que construí ao longo desses anos?”, questionou.
Rogério ainda atribui parte dos problemas enfrentados à rivalidade comercial existente no segmento. Segundo ele, a concorrência nunca teria aceitado o crescimento e a popularidade alcançados pelo TereTrem da Alegria ao longo das últimas décadas. O empresário afirma que algumas dessas questões já foram levadas ao conhecimento da Justiça.
Dificuldades financeiras
Além das críticas ao processo de regulamentação, Rogério relata dificuldades financeiras provocadas pela paralisação das atividades. Segundo ele, a empresa atravessa o momento mais delicado desde sua criação. “Minha empresa está no vermelho. Estou passando por dificuldades que nunca imaginei enfrentar. Não é apenas o meu trabalho que está sendo afetado. Existem famílias que dependem dessa atividade”, afirmou.
Mesmo diante do cenário, o empresário diz que pretende manter ações sociais realizadas pelo trenzinho. De acordo com ele, uma atividade voltada para crianças em situação de vulnerabilidade está prevista para os próximos dias. “Na semana que vem vou levar crianças carentes ao circo, mesmo enfrentando todas essas dificuldades. É algo que sempre fizemos e queremos continuar fazendo”, concluiu.
A reportagem procurou a Prefeitura de Teresópolis e a Câmara Municipal para comentar as declarações do empresário e aguarda retorno.