Fiocruz aponta queda das internações no país, mas Rio de Janeiro segue em alerta
Petrópolis contabilizou 529 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. O cenário acompanha o alerta feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que, apesar de identificar um início de queda das internações por SRAG no país, destaca que a circulação dos vírus respiratórios ainda permanece elevada em boa parte dos estados, incluindo o Rio de Janeiro.
O boletim InfoGripe aponta que a redução das hospitalizações é resultado da queda dos casos provocados pelos vírus Influenza A, Influenza B e da desaceleração das infecções pelo vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável pelas internações de crianças pequenas. Mesmo assim, o estado do Rio de Janeiro continua classificado em nível de alerta para a síndrome.
A pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella, explica que o estado apresenta uma estabilização dos casos, mas ainda com incidência elevada.
“No estado do Rio de Janeiro a gente já observa uma estabilização dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Porém, esses casos ainda estão em um nível alto de incidência nas últimas semanas. Por isso, classificamos o estado como uma região de alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave”, afirmou.
Influenza segue como principal causa entre adultos
O levantamento da Fiocruz mostra que a influenza continua sendo a principal causa de internações por SRAG entre jovens, adultos e idosos. Já entre crianças de até quatro anos, o vírus sincicial respiratório permanece como o principal responsável pelos casos graves. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, o VSR respondeu por 55,9% dos casos positivos para vírus respiratórios, seguido pelo rinovírus (23,3%), Influenza A (12,7%), Influenza B (8,4%) e Covid-19 (2,2%).
Apesar da redução observada nas últimas semanas, a pesquisadora alerta que os vírus respiratórios ainda circulam em níveis elevados no estado.
“Tanto os casos graves causados pelos vírus da Influenza A quanto pelo vírus sincicial respiratório estão em queda nas últimas semanas. Mas esses casos ainda permanecem em um nível alto no estado do Rio de Janeiro”, destacou Tatiana Portella.
Quando o assunto é mortalidade, a Influenza A continua sendo a principal causa de mortes por SRAG no país, respondendo por 33,1% dos óbitos registrados nas últimas semanas epidemiológicas. Desde o início do ano, o Brasil já notificou 109.347 casos da síndrome.
Situação em Petrópolis
Em Petrópolis, das 529 notificações registradas em 2026, 282 casos foram confirmados, 219 descartados e 28 seguem em investigação. Somente em junho, o município contabilizou 160 notificações de SRAG, sendo 118 confirmações e 42 descartes. Entre os vírus identificados, foram registrados 41 casos de rinovírus, 11 de influenza e um caso de Covid-19 entre pacientes com síndrome respiratória grave.
Na vacinação, a Secretaria de Saúde informa que já foram aplicadas 61.367 doses da vacina contra a influenza e 6.213 doses contra a Covid-19. Do total de imunizantes contra a gripe, 27.501 foram destinados a idosos, 6.940 a crianças, 972 a gestantes e 25.954 a pessoas fora dos grupos prioritários.
Segundo Tatiana Portella, a vacinação continua sendo a principal estratégia para evitar casos graves e mortes.
“O único vírus que ainda apresenta tendência de crescimento no Rio de Janeiro é o da Influenza B. É importante lembrar que a vacina é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios que provocam SRAG, como os vírus da influenza, o vírus sincicial respiratório e também a Covid-19”, reforçou.
Por Evelyn Carvalhaes/Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo