A Comissão Especial da Turp realizou uma reunião para discutir o incêndio envolvendo um ônibus do transporte coletivo de Petrópolis e cobrar esclarecimentos sobre as causas do incidente, as condições da frota, os procedimentos de manutenção e as medidas necessárias para ampliar a segurança de passageiros e trabalhadores. Participaram do encontro o presidente da comissão, vereador Thiago Damaceno, o vereador Marquinhos Almeida, a vereadora Júlia Casamasso e o vereador Fred, além de representante do vereador Octavio Sampaio.
Também participaram da reunião o interventor da empresa concessionária e o diretor-presidente da CPTrans, Luciano Moreira, que apresentaram informações sobre as providências adotadas após o incêndio e sobre os desafios enfrentados pelo sistema de transporte coletivo.
Luciano Moreira afirmou que o chamamento foi motivado pela gravidade do incêndio e pela necessidade de esclarecer o que ocorreu. O diretor-presidente da CPTrans informou que o veículo envolvido apresentava histórico de falhas mecânicas antes do incêndio. Ele explicou que os dados de falhas são acompanhados pelo órgão para verificar o comportamento dos veículos e identificar a necessidade de manutenção.
De acordo com Luciano, a intensidade do incêndio prejudicou uma perícia mais aprofundada inicialmente, já que componentes do veículo ficaram severamente danificados. Ele relatou, porém, que imagens analisadas pela CPTrans mostram a presença de líquido, possivelmente óleo diesel ou óleo de motor, sob o veículo durante o início do incêndio. Na avaliação apresentada, uma eventual ruptura de componentes do motor poderia ter provocado vazamento e contato do óleo com partes aquecidas, hipótese que ainda precisa ser confirmada por análise técnica.
O diretor-presidente ressaltou que não seria adequado apontar uma causa definitiva sem evidências suficientes. A investigação pode apontar uma combinação de fatores, e a CPTrans pretende realizar uma inspeção técnica mais aprofundada em toda a frota para ampliar o diagnóstico sobre as condições dos veículos.
A medida deverá complementar as inspeções visuais realizadas atualmente pela CPTrans. Luciano explicou que a fiscalização do órgão permite verificar diversos aspectos externos e operacionais, mas não é suficiente para identificar problemas internos em componentes como motor, sensores, caixa de câmbio e sistemas específicos. Por isso, a intenção é contratar profissionais especializados para realizar inspeções técnicas veiculares mais completas.
A expectativa apresentada durante a reunião é que o processo de contratação seja concluído em breve e que as inspeções sejam realizadas na frota. Luciano também afirmou que os vereadores poderão acompanhar o trabalho e ter acesso aos relatórios produzidos. Caso uma inspeção identifique um problema que comprometa a segurança, o veículo deverá ser retirado de circulação até que a situação seja solucionada.
Outro ponto discutido foi a ocorrência de outros princípios de incêndio registrados em período próximo ao incidente. Questionado sobre uma possível relação entre os casos e sobre a hipótese de sabotagem, Luciano Moreira afirmou que não há, até o momento, evidências suficientes para sustentar essa conclusão. Para ele, seria temerário atribuir os episódios a uma ação criminosa sem elementos concretos que comprovem essa possibilidade.
O interventor da concessionária também apresentou sua avaliação sobre o incêndio. Segundo ele, os indícios iniciais apontam para uma possível pane elétrica, mas uma análise técnica deverá ser realizada para identificar as causas com maior precisão. O interventor afirmou ainda que não descarta completamente a hipótese de sabotagem, mas que o caso continua sendo tratado como uma fatalidade enquanto não houver elementos que indiquem outra causa.
Como medida preventiva, o interventor informou que a empresa pretende reforçar os procedimentos de manutenção e ampliar a checagem dos veículos, inclusive com novos profissionais especializados. A intenção é identificar problemas que eventualmente não tenham sido detectados em manutenções anteriores.
A situação financeira e operacional da concessionária também entrou na pauta. O interventor afirmou que a empresa é viável, mas precisa de investimentos para recuperar sua estrutura. O fluxo de caixa atual permite a continuidade da operação, mas as dívidas acumuladas dificultam a regularização de despesas e a realização de investimentos necessários em manutenção, treinamento e estrutura.
De acordo com o interventor, a empresa apresentou superávit de aproximadamente R$ 350 mil em junho, enquanto os números de julho ainda estavam sendo fechados. Na avaliação apresentada aos parlamentares, um dos principais problemas enfrentados pela concessionária foi a expansão das operações sem recursos suficientes em caixa para acompanhar os investimentos necessários. Ele afirmou que a dívida da empresa vem crescendo desde 2024.
Outro alerta apresentado foi a possibilidade de retomada de processos de busca e apreensão de veículos financiados. Segundo o interventor, 24 ônibus poderiam ser atingidos caso as negociações com as instituições financeiras não avancem, situação que poderia provocar impacto significativo na operação. A empresa estaria buscando acordos para evitar a retirada dos veículos.
Luciano Moreira também abordou a relação entre o órgão fiscalizador e a intervenção na concessionária. O diretor-presidente reconheceu a preocupação de que uma aproximação excessiva possa comprometer a independência necessária para a fiscalização e afirmou que cada ente precisa manter suas atribuições claramente definidas.
A reunião também tratou da reorganização das linhas e da possibilidade de participação de outras empresas na operação de determinadas regiões. Luciano afirmou que a eventual redistribuição de linhas precisa considerar o equilíbrio econômico do sistema e as características de cada operação.
O diretor-presidente explicou ainda que a tarifa do transporte deve ser analisada como um valor referente ao sistema como um todo, e não individualmente por empresa ou linha. Para ele, existem diferenças de demanda e arrecadação entre as linhas, o que influencia diretamente o equilíbrio financeiro das concessionárias.
Ao longo do encontro, os vereadores reforçaram a necessidade de acompanhar os resultados das novas inspeções técnicas e cobrar informações sobre a manutenção da frota. A comissão também deverá continuar acompanhando a situação financeira da concessionária, a disponibilidade dos veículos e os impactos que eventuais retiradas de ônibus poderiam provocar na operação.
Ao final, os parlamentares destacaram que a segurança dos passageiros deve ser prioridade e que qualquer veículo identificado com problemas que possam comprometer a operação deverá passar por avaliação e, se necessário, ser retirado de circulação até a correção da irregularidade. A Comissão Especial da Turp pretende acompanhar os próximos passos e cobrar transparência sobre as providências adotadas pela concessionária, pela intervenção e pela CPTrans.
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