Por Leandra Lima
As mudanças climáticas estão no centro dos debates pelos impactos que têm causado aos diferentes territórios. O foco está no fenômeno climático chamado El Niño, que provoca mudanças na precipitação e nas temperaturas no Brasil. E são essas influências que os governos municipais estão focando, por essa razão, a Câmara Municipal de Nova Friburgo realizou uma audiência pública para analisar as ações programadas pelo município.
A audiência, organizada pelo vereador Cláudio Damião (PT), teve como ponto de partida uma mobilização do coletivo “Movimento Pela Vida Antes da Emergência”, organizada pela sociedade civil. Na ocasião, Carla Strassman, uma das responsáveis, ressaltou que o movimento cobra transparência e ações preventivas diretas da Prefeitura antes da chegada de eventos climáticos extremos, pois a região é marcada por grandes tragédias socioambientais.
O conjunto serrano, especialmente Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis, tem essa característica. Os municípios protagonizaram um dos piores episódios em janeiro de 2011. O desastre foi considerado um dos maiores do Brasil, com cerca de 900 mortes em toda a Serra. Na ocasião, hospitais e outros serviços essenciais foram paralisados devido aos estragos.
Por essa razão, Cláudio questionou, na sessão, a falta de mobilização do Poder Público para alimentar o Fundo Municipal de Emergência, instrumento criado logo após a tragédia de 2011. “Por qual razão o fundo de emergência não é alimentado? Hoje nós temos R$ 600 e poucos mil reais”, disse.
Nova Friburgo investe apenas 0,053% do orçamento municipal na Secretaria de Defesa Civil. O percentual caiu drasticamente em 2025, passando de 0,25%, aproximadamente R$ 2.374.958,67 em 2024, para R$ 537.200,00, valor correspondente à porcentagem atual.
O parlamentar também questionou a Defesa Civil sobre quais são os procedimentos frente aos eventos climáticos. O secretário da pasta, Evi Gomes, destacou a parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ), que enviou um recurso de cerca de R$ 500 mil para a compra de equipamentos destinados a 20 novos núcleos comunitários, com a meta de atingir 40 núcleos até 2028. “É um trabalho essencial para que a gente possa estar dentro da comunidade. Nosso objetivo é capacitar os moradores que moram nessas localidades de risco muito alto”, enfatizou.
O secretário ressaltou que, em 2021, havia apenas dois núcleos. “A gente tinha muita dificuldade de abrir novos núcleos, primeiro pela parte de recurso. A gente estava se organizando. A gente iniciou em 2021 com 27 servidores, hoje somos 42, então houve um aumento significativo, mas ainda não é suficiente para atender todas as necessidades que a Defesa Civil precisa hoje da gente”, destacou.
Segundo Evi, para reforçar a prevenção contra os impactos do El Niño, a Defesa Civil vai oficializar a criação de 12 novos núcleos comunitários. Segundo o órgão, a alta demanda por capacitações tem sobrecarregado a equipe. “Como exemplo dessa rotina, a coordenação esteve em Campo do Coelho realizando treinamentos locais, o que exige um desdobramento constante das equipes em campo”, pontuou.