A construção na Montreal rendeu mais uma discussão pública sobre o licenciamento concedido pela Prefeitura para a criação do conjunto habitacional de interesse social destinado ao Programa Minha Casa, Minha Vida, previsto para ser instalado em um terreno situado em Corrêas, no número 4.024, próximo ao Rio Piabanha. Moradores da região de Corrêas apontaram em uma audiência pública, que aconteceu na última semana, organizada pela vereadora Gilda Beatriz (PP), que se sentem invisibilizados perante o assunto, já que o poder público não apresentou um estudo de impacto com essa nova construção.
“A enchente não dá todo day, mas a gente sabe que uma hora chega. A construção dos apartamentos na Montreal, só que assim, ninguém chega aqui e fala ‘E aí, o que que vocês acham?’. A gente se sente um pouco jogado, abandonado”, expressou Rogéria, uma das moradoras das regiões em vídeo com a parlamentar.
Outro residente da área questionou se realmente teve um estudo de impacto do empreendimento. “Se falou do estudo de caso de vizinhança, depois foi retificado como estudo de impacto viário. Teve esse estudo? Qual a posição da CPTrans? E cadê o estudo de impacto de vizinhança? Não dá para entender por que estamos discutindo isso hoje. Não era nem para discutir isso, nós temos que estar discutindo o parque!”, ressaltou.
Gilda relatou que a comunidade foi marcando as datas das históricas enchentes nas paredes e muros como uma forma de mostrar até onde a água alcançou. “Então, os moradores estão muito preocupados. Porque aqui é um local que alaga e que, a construção sendo feita, vai pegar ali Olaria e a Estrada Mineira”, disse.
Esses aspectos também já foram apontados por instituições ambientais. O Comitê Piabanha já havia recomendado a suspensão do licenciamento de grandes empreendimentos em Petrópolis até que sejam devidamente revisados e atualizados o Plano Diretor Municipal e os demais instrumentos de planejamento e controle urbano.
“O Comitê Piabanha entende que é necessário, em função dos últimos desastres de Petrópolis e das últimas inundações de Corrêas, que se faça uma paralisação de todo e qualquer licenciamento no município. Precisamos da Lei de Uso e Ocupação do Solo atualizada, da Lei de Impacto de Vizinhança, do Código Ambiental e da Lei Cidade Esponja”, uma das diretoras do Comitê.