Por Leandra Lima
O anúncio da instalação do supercomputador de alto desempenho voltado à Inteligência Artificial (IA), em Macaíba, no Rio Grande do Norte (RN), causou uma reação não tão otimista nas instituições petropolitanas que articularam ações para que o equipamento fosse implementado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis. Elas acreditam que o computador não traria apenas um avanço técnico e científico, mas também um investimento social e econômico, pois fortaleceria a cidade como polo de inovação.
O vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEP), Marcelo Soares, informou que o município preenche, com folga, todos os requisitos do edital para receber a máquina e que era o melhor posicionado para recebê-la. Por isso, para ele, a não vinda do supercomputador representa um esvaziamento perigosíssimo para a permanência do LNCC em Petrópolis.
“Por um motivo simples: a tecnologia avança a cada minuto, o tempo todo avançando. Se você não está atualizado, começa a perder espaço. O Brasil já não é ponta na questão da inteligência artificial, da tecnologia. Esse supercomputador tiraria um pouco desse atraso”, expressou.
Nesse mesmo viés, a Prefeitura de Petrópolis lamentou a escolha de Macaíba, destacando que acreditava no impacto desse projeto, especialmente porque a cidade possui o cenário ideal, com um ecossistema tecnológico maduro e em expansão, impulsionado pelo LNCC, pelo Parque Tecnológico da Região Serrana (Serratec) e por diversas empresas do mercado digital.
O Serratec manifestou que a vinda contribuiria não apenas por uma questão regional, mas porque existem fundamentos técnicos, científicos e econômicos muito fortes para isso. “Petrópolis é oficialmente a Capital Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro, conforme a Lei Estadual nº 10.716, de 27 de março de 2025, e reúne ativos extraordinários: o LNCC, o Supercomputador Santos Dumont, o Serratec, universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia, startups e profissionais altamente qualificados”, ressaltou.
Mas pontuou que, neste momento, não vê elementos que permitam afirmar que haverá um esvaziamento do LNCC. “Ao contrário, o LNCC continua tendo participação estratégica na implantação da nova infraestrutura nacional de supercomputação, o que demonstra a extraordinária capacidade científica e técnica construída em Petrópolis ao longo de décadas”, enfatizou.
Além disso, destacou que o município precisa permanecer nessa discussão e se preparar desde agora para disputar novos investimentos em supercomputação, Inteligência Artificial e infraestrutura tecnológica para o laboratório.
Em meio aos apontamentos, o Laboratório Nacional de Computação Científica afirmou que a implantação da nova infraestrutura não altera a sede do LNCC, que permanece em Petrópolis, e representa uma expansão da infraestrutura nacional de computação de alto desempenho, e não uma transferência do Laboratório.
“O Laboratório continua desenvolvendo na cidade suas atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, formação de recursos humanos e operação de infraestrutura de computação científica. O novo supercomputador não substitui o Santos Dumont, que permanece instalado e em operação no LNCC, em Petrópolis, atendendo projetos de pesquisa científica de diferentes áreas e a comunidade científica. A nova infraestrutura complementa, assim, a infraestrutura nacional de HPC e IA”, reafirmou.