Instituição realizou seu primeiro estudo eletrofisiológico seguido de ablação cardíaca, procedimento conduzido pelos cardiologistas e arritmologistas, Dr. Rafael Boechat e Dr. Tayene Quintella
A cardiologia na Região Serrana do Rio de Janeiro ganhou um novo avanço com a realização do primeiro estudo eletrofisiológico seguido de ablação cardíaca no Hospital São José, em Teresópolis. O procedimento, utilizado para diagnosticar e tratar determinados tipos de arritmias, amplia as possibilidades de assistência especializada na região.
A operação foi conduzida pelos cardiologistas e arritmologistas Dr. Rafael Boechat, do Hospital São José, e Dr. Tayene Quintella, especialista que acumula experiência de quase 300 procedimentos realizados com sua equipe no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis. Os anestesistas Dr, Rafael Nassar e Dra. Júlia Chimelli Gomes também participaram do procedimento inédito.
A paciente havia procurado atendimento com o Dr. Rafael, no Hospital São José, após apresentar sintomas que levaram à suspeita de uma arritmia. Durante a investigação, o especialista identificou elementos que indicavam a necessidade de um estudo eletrofisiológico, exame capaz de avaliar detalhadamente a atividade elétrica do coração e identificar o mecanismo responsável pela alteração.
“Por meio de manobras médicas, avaliamos a condução elétrica do coração e induzimos a arritmia. Depois, identificamos os seus mecanismos e aplicamos a energia em seu circuito por meio dos tubos para eliminá-la”, explica o Dr. Rafael Boechat.
“Foi o primeiro procedimento desse tipo realizado no Hospital São José. O Dr. Rafael identificou a suspeita durante a investigação da paciente e me convidou para realizarmos o caso juntos. Conseguimos somar a estrutura e o trabalho que começa a ser desenvolvido em Teresópolis à experiência acumulada pela nossa equipe em Petrópolis”, explica Dr. Tayene Quintella.
Diagnóstico e tratamento no mesmo procedimento
No caso da paciente, foi identificada uma taquicardia supraventricular causada por um mecanismo conhecido como reentrada nodal. Esse tipo de arritmia pode provocar episódios de aceleração súbita dos batimentos cardíacos, acompanhados de sintomas como palpitações, tontura e mal-estar.
O estudo eletrofisiológico é minimamente invasivo. Por meio de um acesso venoso na região femoral, são introduzidos cateteres que chegam ao coração e permitem registrar e estimular sua atividade elétrica. A partir dessas informações, os especialistas conseguem identificar o mecanismo responsável pela arritmia.
Após o diagnóstico, a equipe realizou, no mesmo procedimento, a ablação por radiofrequência. A técnica utiliza um dos cateteres para aplicar energia de forma precisa em uma pequena região relacionada ao circuito da arritmia, interrompendo o mecanismo responsável pelos episódios.
“Os cateteres nos permitem estudar o coração do ponto de vista elétrico e localizar o mecanismo da arritmia. Uma vez identificado, conseguimos realizar a ablação naquele mesmo momento. É uma intervenção bastante localizada, feita justamente na região necessária para impedir que aquele circuito continue provocando a arritmia”, detalha Dr. Tayene.
“A paciente sofria com palpitações há aproximadamente 15 anos e não tinha diagnóstico. Ao apresentar arritmia, procurou a emergência do hospital e, finalmente, conseguimos fazer o diagnóstico e tratamento curativo”, completa o Dr. Rafael.
O procedimento foi concluído com sucesso. Em casos como esse, quando não existem outras condições clínicas que exijam cuidados adicionais, a recuperação tende a ser rápida. A alta pode ocorrer entre 24 e 36 horas, e o retorno às atividades habituais acontece de forma progressiva, conforme avaliação e liberação médica.
Avanço para a cardiologia da Região Serrana
Além do resultado do primeiro caso, a realização do procedimento no Hospital São José representa a incorporação de uma nova possibilidade de assistência cardiológica em Teresópolis e fortalece a oferta de tratamentos especializados na Região Serrana.
A parceria entre os profissionais também promove a integração da experiência já acumulada em Petrópolis com a estrutura que começa a ser desenvolvida em Teresópolis. O Hospital São José e o Hospital Santa Teresa integram a mesma mantenedora, a Rede Santa Catarina, o que contribuiu para a aproximação das equipes neste primeiro procedimento.
“Mais do que realizar um primeiro caso, estamos falando da possibilidade de avançar na estruturação do diagnóstico e do tratamento das arritmias em Teresópolis. Ter profissionais capacitados, estrutura adequada e integração entre as equipes é fundamental para ampliar o acesso dos pacientes da região a tratamentos cada vez mais especializados”, destaca Dr. Tayene.
A realização do primeiro estudo eletrofisiológico com ablação abre caminho para a consolidação desse tipo de assistência no município e para a ampliação gradual dos procedimentos realizados na área de eletrofisiologia, reduzindo também a necessidade de deslocamento de pacientes da Região Serrana para grandes centros em busca de tratamentos especializados.
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