Na Região Serrana, não só se manteve a tendência do eleitorado voltado a apoiar candidatos de direita, nos três colegiados eleitorais mais expressivos, que reúnem os municípios de Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis, a maior parte dos eleitores não declarou a raça. No total, somando as três cidades, cerca de 437.270 pessoas não informaram a raça.
Em Petrópolis, dos 239.478 eleitores aptos a votar, 200.620 não informaram cor ou raça, sendo a maioria mulheres, cerca de 107.625, que representam 53,65% do eleitorado, os homens somam 92.802 (46,26%), e os que não declararam gênero foram 0,10% (193) desse público. Juntos, o grupo compôs a maior parte dos votos obrigatórios, 164.088.
O cenário é o mesmo em Nova Friburgo, de 155.258 eleitores aptos, 126.981 não declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cor ou raça. As mulheres nesse aspecto também são a maioria, representando 52,71% (66.927), os homens se mantêm na média de 47,21% (59.952) e os que não informaram gênero representam 0,08% (102).
Em Teresópolis, o terceiro maior colegiado, de 133.424 aptos a votar, os que não declararam somam 107.669, as mulheres são 53,17% (56.315), os homens são 47,61% (51.267) e os que não informaram gênero foram 0,08% (87).
Mulheres são maioria em todas as raças
O Correio também percebeu, através dos dados, que nesses mesmos três colegiados os eleitores são compostos majoritariamente por mulheres. Os dados cruzados do TSE apontam que, no perfil eleitoral, as mulheres compõem 54% dos que votam. Já os homens representam cerca de 46%. Isso em todos os municípios citados.
Apesar de serem maioria, o grupo feminino segue sendo a minoria eleita na cidade. O resultado revela uma tendência persistente nas escolhas dos eleitores: a preferência por homens brancos e figuras já conhecidas no meio político, também em um cenário mais conservador.
Esse cenário decorre da inserção tardia das mulheres na vida pública, um processo que deu seus primeiros passos concretos em 1932, com a garantia do direito ao voto feminino. Soma-se a isso o impacto de estigmas machistas, que retardam ainda mais o avanço político das mulheres.
Essa discussão é atual, principalmente no cenário nacional, já que a minoria no Senado é mulher. Uma pesquisa realizada em 2023 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) apontou que 84,45% da população manifesta algum tipo de preconceito contra o gênero feminino.
No recorte específico sobre a política, o estudo constatou que cerca de 39,9% dos brasileiros nutrem preconceito contra a liderança feminina, o que se reflete tanto no resultado das urnas quanto no tratamento dado às pautas de interesse das mulheres no âmbito público.