Num cenário atual em que estamos envoltos de milhares de informações e mensagens, a comunicação ainda é frequentemente citada como o principal gargalo das organizações. E, neste dia, em que celebramos o Dia do Trabalhador, o professor de gestão da Estácio, Flavio Guimarães, explica que o assunto é raramente tratado no ambiente de trabalho, pelo que ela realmente é: um processo sistêmico de troca de valor e uma salvaguarda institucional. Para o especialista, o gestor que busca a evolução contínua, dominar o equilíbrio entre o ouvir, o falar e o feedback não é apenas um diferencial competitivo, mas um imperativo de sobrevivência, eficiência operacional e segurança jurídica.
Ao falar sobre a base que norteia qualquer processo de melhoria, ele cita o poder da escuta. “Na Engenharia de Processos, sabemos que um diagnóstico impreciso compromete todo o sistema. Nas relações humanas, o erro nasce na “escuta reativa”. O ouvir genuíno exige o que chamamos de empatia cognitiva. Sob a ótica do Direito, a escuta ativa é a primeira linha de defesa na prevenção de conflitos”, explica. O professor acrescenta que em cargos de liderança, quando líder ouve sua equipe, ele identifica precocemente desvios de conduta, riscos de assédio e falhas de conformidade, permitindo ajustes finos antes que o problema se torne um passivo judicial, uma crise reputacional ou o não atingimento de metas organizacionais.
Para ele, a comunicação com clareza é reduzir a entropia do sistema. “Na gestão, o falar deve ser assertivo e transparente. Como advogado e administrador, reforço que a clareza na transmissão de ordens e expectativas não apenas aumenta a produtividade, mas delimita responsabilidades. O uso de termos ambíguos gera o chamado “ruído ocupacional”, que resulta em erros operacionais e, no limite, em descumprimentos contratuais ou normativos. A fala do líder deve servir como um farol, alinhando os objetivos estratégicos da organização com a realidade da execução”, comenta.
O especialista em gestão também argumenta que feedback é o fechamento do ciclo, o “check” do ciclo PDCA aplicado às pessoas. Sem ele, o sistema entra em cegueira funcional. “Devemos focar o feedback construtivo no comportamento e no resultado, nunca na identidade da pessoa. Em uma visão jurídica um sistema de feedback bem estruturado e documentado é uma ferramenta de governança. Ele demonstra que a empresa oferece ao colaborador a oportunidade de correção e crescimento, servindo como evidência de uma gestão justa e transparente em eventuais lides trabalhistas. Observamos que equipes que dominam a retroalimentação constante atingem a maturidade e a alta performance de forma acelerada”, conclui.
O professor e consultor, observa que a tecnologia facilitou o envio da mensagem, mas não garantiu a compreensão. “Seja no Direito, na Logística, no RH ou no Marketing, a qualidade do resultado depende da qualidade da interação inicial. Evoluir pressupõe movimento, e para que esse movimento seja ascendente, a comunicação deve fluir sem barreiras burocráticas ou emocionais”, esclarece.
Para ele, ouvir com atenção, falar com intenção e dar feedback com precisão formam o tripé que sustenta as empresas resilientes. “Em um mercado voltado à inteligência artificial e à automação, a excelência na comunicação humana continua sendo nossa tecnologia de gestão mais sofisticada. E através dela que transformamos grupos em equipes de alto impacto e processos em resultados extraordinários, com a segurança de que o crescimento está amparado pela ética e pelo Direito. Vamos refletir sobre isto?” questiona.