Por Gabriel Rattes
A criação do Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida (MoNa) completa quatro anos neste mês, consolidando uma das principais iniciativas de conservação ambiental da Região Serrana. Instituída pela Lei Estadual nº 9.756/2022, a unidade de conservação protege uma área de 7.803,69 hectares em Petrópolis, abrangendo florestas de Mata Atlântica, campos de altitude, nascentes, formações rochosas e um dos conjuntos de paredões mais expressivos do estado do Rio de Janeiro.
A história da unidade começou anos antes da aprovação da lei. Em 2016, os montanhistas Julian Kronenberger, Bernardo Eckhardt e Hugo de Castro iniciaram discussões para transformar em realidade um antigo desejo da comunidade ligada ao montanhismo e à conservação ambiental: garantir proteção permanente para a Serra da Maria Comprida e seu entorno.
A proposta ganhou forma técnica e chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por meio do Projeto de Lei nº 3.209/2020, apresentado pelo então deputado estadual Carlos Minc. Após aprovação unânime pelos parlamentares, o texto foi vetado pelo Poder Executivo, mas o veto acabou derrubado também por unanimidade em 28 de junho de 2022, garantindo a criação da unidade de conservação.
Além da relevância ambiental, o projeto recebeu reconhecimento nacional. Em 2023, a iniciativa foi premiada com o Mosquetão de Ouro, concedido pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada, na categoria Montanhismo e Ação Local.
Estruturação e avanços
Desde a criação da unidade, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) vem desenvolvendo a estrutura administrativa e operacional do monumento. Entre os avanços estão a instalação do Conselho Consultivo, o fortalecimento das ações de fiscalização ambiental, monitoramento da biodiversidade e prevenção a incêndios florestais.
Segundo o gestor ambiental e responsável pelo MoNa, Mateus Kawari, a conservação ambiental também gera impactos positivos para a economia local. “O MoNa Maria Comprida possibilita atividades de visitação pública compatíveis com seus objetivos de conservação. Trilhas, montanhas, escaladas e áreas de banho impulsionam a economia local por meio da contratação de guias, hospedagem, alimentação e demais serviços ligados ao turismo de natureza”, afirmou.
As regiões de Araras, Secretário e Itaipava estão entre as mais beneficiadas pelo fluxo de visitantes atraídos pelos atrativos naturais da unidade, como o Poço da Rocinha e diversas trilhas tradicionais da Serra do Mar.
Além do turismo, a unidade desempenha papel estratégico na preservação dos recursos hídricos, na proteção da biodiversidade e na manutenção dos serviços ecossistêmicos que contribuem para a qualidade de vida da população.
Fiscalização e proteção ambiental
Nos últimos anos, a gestão da unidade ampliou sua capacidade de monitoramento por meio da aquisição de drones, armadilhas fotográficas e equipamentos voltados ao combate a incêndios florestais. Também foram elaborados mapeamentos de áreas prioritárias para fiscalização e monitoramento ambiental.
As ações ocorrem em parceria com diferentes instituições, incluindo a Prefeitura de Petrópolis, Guarda Civil Municipal, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, CPTrans, ICMBio, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
O trabalho conjunto busca coibir crimes ambientais, ampliar a proteção dos recursos naturais e fortalecer a presença do poder público em uma área marcada por relevo acidentado e de difícil acesso.
Próximos desafios
Apesar dos avanços, a consolidação da unidade ainda passa por etapas importantes. Entre as prioridades apontadas pela gestão estão a ampliação da equipe técnica, implantação de uma base administrativa própria, fortalecimento das ações de prevenção a incêndios, ordenamento do uso público e a conclusão do Plano de Manejo, principal instrumento de planejamento e gestão de uma unidade de conservação.
Também está entre os objetivos ampliar as pesquisas científicas e fortalecer a participação da sociedade na construção de políticas voltadas à proteção do patrimônio natural.
Quatro anos após sua criação, o Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida se consolida como uma das principais áreas protegidas da Serra do Mar fluminense, resultado de uma mobilização iniciada pela sociedade civil e transformada em instrumento permanente de conservação ambiental para as futuras gerações.