Espaço será sediado no Instituto Histórico e Artístico de Paraty, próximo à Igreja de Santa Rita
A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terá uma novidade em sua programação neste ano. Pela primeira vez, o evento, que será realizado entre os dias 22 e 26 de julho, contará com um espaço inteiramente dedicado ao patrimônio cultural brasileiro. Batizada de Casa Patrimônio, a iniciativa pretende reunir pesquisadores, gestores, especialistas e representantes de diferentes áreas para discutir a preservação e a valorização dos bens culturais materiais e imateriais do país.
Instalada na sede do Instituto Histórico e Artístico de Paraty (IHAP), antiga cadeia, situada ao lado da Igreja de Santa Rita, a Casa Patrimônio terá programação paralela durante os cinco dias da Flip, assim como as outras 43 casas que fazem parte da programação neste ano.
O espaço nasce a partir de uma parceria entre a Elysium Sociedade Cultural e o Núcleo de Estudos de Direito do Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com chancela da Flip e apoio do IHAP e do Departamento de Patrimônio da Prefeitura de Paraty. Ela também foi viabilizada com apoio da Associação dos Observadores dos Direitos Difusos e Coletivos de Minas Gerais (Lei.A), da Plataforma Semente e do Ministério Público de Minas Gerais.
A Casa Patrimônio foi concebida com o objetivo de provocar reflexão sobre a memória, a identidade e a diversidade cultural brasileira, ampliando o diálogo entre patrimônio e literatura dentro de um dos mais importantes eventos culturais do país. “A nossa ideia foi criar um ambiente onde diferentes pesquisadores, com enfoques multidisciplinares, pudessem dialogar entre si, mas, principalmente, onde o verdadeiro protagonista fosse o patrimônio cultural brasileiro, em suas diferentes modalidades e suportes”, explica a historiadora Rachel Wider, responsável pela coordenação acadêmica da iniciativa e colaboradora da Elysium Sociedade Cultural.
A proposta é, por meio de uma programação recheada de palestras com especialistas da área e lançamentos de obras literárias com foco em preservação do patrimônio, aproximar o público de temas que, embora façam parte do cotidiano das cidades e comunidades brasileiras, nem sempre ocupam espaço central nos grandes debates culturais.
“A Casa Patrimônio será um espaço de encontro, diálogo, reflexão e valorização dos saberes, fazeres, das memórias e das tradições do Brasil, proporcionando uma aproximação entre gestores, pesquisadores, comunidades e o público em geral das múltiplas dimensões do patrimônio”, afirma Alerson Godoy, coordenador técnico da Casa Patrimônio.
O espaço representa também uma oportunidade de ampliar a visibilidade das ações de preservação desenvolvidas em diferentes regiões do país e fortalecer o diálogo entre universidades, instituições culturais, gestores públicos e comunidades. “Apoiamos esta iniciativa porque entendemos que patrimônio e literatura vêm de uma relação simbiótica e bem antiga, que atravessa os séculos. Esta Casa Patrimônio em Paraty representa o encontro entre a literatura, como patrimônio imaterial, abrindo caminho para chegar ao patrimônio material”, diz Wolney Unes, diretor da Elysium, instituição reconhecida pela sólida experiência no restauro de edificações históricas e com projetos executados em todo o Brasil.
A proposta busca ainda ampliar a compreensão do patrimônio cultural como um direito coletivo e um tema que ultrapassa os limites das discussões técnicas. Para Carlos Magno de Souza Paiva, professor do Departamento de Direito da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), esse é um dos principais diferenciais da iniciativa. “O grande mérito de ter este espaço é o patamar que o patrimônio cultural, enquanto direito, alcança. Não se trata apenas do direito do patrimônio sob uma perspectiva técnica ou jurídica, mas do patrimônio cultural enquanto um direito de todos. É esse alcance que a iniciativa ajuda a projetar no cenário nacional”, destaca.
A relevância da iniciativa é destacada também pelo promotor de Justiça de Ouro Preto, Emmanuel Levenhagen Pelegrini. “É um espaço que trará relevantes discussões sobre o tema, os desafios de preservação e os diversos aspectos jurídicos que incidem sobre estas questões. Com a presença e participação de promotores de Justiça, com atuação reconhecida na defesa do patrimônio cultural, professores e demais especialistas no tema, este espaço contribuirá para fortalecer a cultura da preservação e facilitar a convivência entre o direito de propriedade e a proteção de um patrimônio que pertence a toda a sociedade”, afirma.
Presidente da Associação dos Observadores dos Direitos Difusos e Coletivos de Minas Gerais – Observatório Lei.A, Bernardo Reis acrescenta que a entidade, sediada em Ouro Preto, atua desde 2017 na promoção e defesa do patrimônio cultural, do meio ambiente e de outros direitos difusos e coletivos. Para ele, participar da Casa Patrimônio representa um marco para a instituição. “Ela cria uma importante conexão entre duas cidades que possuem alguns dos mais relevantes acervos patrimoniais brasileiros, Ouro Preto e Paraty, ampliando o diálogo sobre preservação cultural em âmbito nacional”, conclui.
Serviço
Casa Patrimônio
Local: Sede do Instituto Histórico e Artístico de Paraty, próximo à Igreja de Santa Rita
Endereço: Largo de Santa Rita – Centro Histórico, Paraty – RJ
Data: 22 a 26 de julho
Foto: divulgação