Petrópolis ganha tons do Japão entre final de julho e agosto
Todos os anos a natureza reserva um presente para quem visita Petrópolis no inverno. Durante apenas algumas semanas, centenas de cerejeiras entram em floração e espalham tons de rosa pela cidade, criando um roteiro que não depende de palco, ingresso ou programação: basta estar no lugar certo, na época certa. O espetáculo transforma parques, ruas e jardins em um dos cenários mais encantadores da estação entre a segunda quinzena de julho e agosto. E para quem mora ou visita a cidade não perder a oportunidade anual única, tem dicas da rota clicando no Circuito das Cerejeiras.
Com duração média de apenas 15 a 20 dias, a floração das cerejeiras é um dos fenômenos naturais mais aguardados do calendário turístico de Petrópolis. A cada inverno, moradores voltam a percorrer caminhos já conhecidos e visitantes descobrem uma cidade que ganha novos contornos, convidando à contemplação, aos passeios ao ar livre e, claro, às fotografias.
Para o presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau, Fabiano Barros, a força desse atrativo está justamente em sua brevidade. “Vivemos uma época em que muitas viagens são planejadas em torno de grandes eventos. As cerejeiras mostram que a própria natureza também cria experiências únicas. Durante poucos dias, Petrópolis oferece um espetáculo que não pode ser adiado nem reproduzido em outra época do ano. Quem vem agora encontra uma cidade diferente daquela que verá daqui a algumas semanas.”
Além da beleza, a temporada das cerejeiras estimula um turismo mais desacelerado. Em vez de seguir um único roteiro, muitos visitantes percorrem diferentes regiões da cidade em busca das árvores floridas, descobrindo novos atrativos, cafés, restaurantes, parques e paisagens ao longo do caminho.
“As cerejeiras têm essa capacidade de fazer o visitante circular por Petrópolis. A pessoa vai ao Quitandinha para fotografar as flores, aproveita para conhecer outro atrativo, almoça em um restaurante, visita um distrito e acaba vivendo a cidade de forma muito mais completa. É um turismo que distribui movimento por diferentes regiões e valoriza toda a experiência do destino”, destaca Fabiano Barros.
A chamada Rota das Cerejeiras reúne diversos pontos do município onde é possível apreciar a floração. Entre eles estão o Palácio Quitandinha, o Museu Imperial, o Palácio de Cristal, o Parque Municipal de Itaipava, o Lago de Nogueira, a Avenida Barão do Rio Branco, o Parque Cremerie, o Vale das Videiras, o Vale do Amor, Araras, o Palácio Rio Negro e o Promenade, em Nogueira. Mas, ainda existem cerejeiras em ruas do Retiro como a Vidal de Negreiros e a Carlos Gomes, de acesso ao Bingen. As flores também podem ser encontradas em hotéis da cidade como a Pousada das Araras onde o florescer fica ainda mais mágico.
Cerejeiras “anunciam” o Bunka-Sai 2026
Este ano, a temporada das cerejeiras funciona como um anúncio para a festa que está por vir: o Bunka-Sai 2026 celebra a rica cultura japonesa em Petrópolis entre os dias 13 e 16 de agosto, transformando Palácio de Cristal em um pedaço do Japão na Serra Fluminense. Com entrada gratuita, o festival oferece uma imersão completa que vai da tradição à modernidade, com apresentações de taiko (os tambores japoneses), danças folclóricas, oficinas interativas de origami, ikebana e mangá, do animado concurso de cosplay.
E quando começa a ligação Japão-Petrópolis?
A ligação de Petrópolis com as cerejeiras vai além da paisagem. As árvores simbolizam a histórica aproximação da cidade com o Japão e sua comunidade, que ajudou a consolidar um importante intercâmbio cultural ao longo das últimas décadas. Petrópolis abrigou a primeira representação diplomática do Japão no Brasil. Em 1897, devido a uma forte epidemia de febre amarela na cidade do Rio de Janeiro, a Legação Japonesa foi instalada em um casarão histórico no Centro de Petrópolis, na Avenida Sete de Abril, 609. Foi desse local, onde operou até 1903, que os diplomatas enviaram os relatórios favoráveis que abriram as fronteiras do Brasil para o início oficial da imigração japonesa em 1908. Hoje o casarão, onde funciona a Pousada Dom Petrópolis, tem um museu que registra esta parte importante da história
Já as primeiras mudas de cerejeiras foram plantadas em 1995, durante as comemorações pelos 100 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Japão. Desde então, a floração anual passou a integrar o calendário turístico e cultural da cidade. Na tradição japonesa, a sakura representa a renovação, a esperança e a beleza dos momentos passageiros.