Especialista destaca que preparar o corpo para as exigências do ciclismo é fundamental para garantir desempenho, segurança e longevidade na prática esportiva
No início desta semana, em 19 de agosto, foi celebrado o Dia do Ciclista, data que reforça a importância da bicicleta como meio de transporte, prática esportiva e atividade de lazer. Para quem escolhe o pedal como parte da rotina, manter o corpo preparado para as exigências da modalidade é fundamental para continuar percorrendo quilômetros com qualidade e segurança. O fortalecimento muscular e o trabalho de mobilidade estão entre as estratégias que podem contribuir para esse objetivo, além dos benefícios físicos e mentais proporcionados pelo ciclismo.
Para Oton Lima, educador físico e docente da Estácio, a preparação física deve acompanhar o praticante ao longo de sua trajetória sobre duas rodas. Com aproximadamente 15 anos de experiência no mountain bike, o professor já percorreu diferentes trilhas e estradas da Região Serrana do Rio de Janeiro, além de trajetos como Nova Friburgo a Rio das Ostras e o desafiador Faraó, em Cachoeiras de Macacu.
“O mountain bike me ensinou que pedalar não é apenas movimentar as pernas. A modalidade exige resistência, força, equilíbrio, coordenação, estabilidade e capacidade de adaptação às diferentes situações encontradas durante um percurso”.
Segundo Oton, o ciclismo também proporciona ganhos que vão além do condicionamento físico. O contato com a natureza, a concentração necessária durante uma trilha, a sensação de liberdade e a convivência com outros ciclistas podem contribuir para o bem-estar mental e emocional.
“Muitas vezes, depois de horas sobre a bicicleta, o corpo está cansado, mas a mente retorna renovada”.
Com o passar dos anos, porém, o cuidado com o corpo se torna ainda mais importante. A própria experiência do educador físico, que atualmente convive com três protrusões discais nas regiões
cervical e lombar, reforçou a necessidade de preparar a musculatura para as demandas do esporte.
Nesse sentido, ele explica que o fortalecimento muscular não deve se concentrar apenas nas pernas.
“A musculatura responsável pela estabilização do tronco, do quadril e da cintura escapular também participa da manutenção da postura e do controle do corpo durante o pedal. Já o trabalho de mobilidade pode favorecer a qualidade dos movimentos e a capacidade de sustentar, com mais eficiência, as posições exigidas pela bicicleta. Para continuar praticando aquilo de que gostamos, não basta apenas repetir a modalidade. É necessário investir na preparação do corpo para ela”.
De acordo com o especialista, a preocupação deixa de ser apenas com desempenho, como aumentar a distância percorrida, subir mais rápido ou completar uma trilha mais difícil, e passa a envolver a longevidade esportiva. Treinamento, fortalecimento, mobilidade, recuperação e acompanhamento profissional devem fazer parte de uma mesma estratégia para quem deseja manter o ciclismo como atividade por muitos anos.
“Não devemos fortalecer o corpo apenas para pedalar melhor, devemos fortalecê-lo para continuar pedalando ao longo da vida”.
Além dos aspectos relacionados à preparação física, manter o hábito de pedalar pode representar uma forma de preservar autonomia, bem-estar e conexão social. Para Oton, essa dimensão é uma das principais razões pelas quais a atividade permanece significativa mesmo depois de tantos anos.
“Continuar pedalando significa muito mais do que continuar praticando um esporte. Significa preservar uma atividade capaz de proporcionar saúde física, equilíbrio mental, autonomia, amizade, contato com a natureza e histórias que levamos para toda a vida”.
Para quem deseja seguir acumulando quilômetros, portanto, a melhor estratégia pode não ser buscar sempre o percurso mais difícil, mas construir condições para continuar pedalando. Afinal, como resume o educador físico, “a melhor trilha não é necessariamente a mais difícil. É aquela para a qual conseguimos continuar voltando”.