Profissional fala sobre o que é uma alimentação saudável e os desafios enfrentados com as redes sociais
Neste dia 31 de agosto é celebrado o Dia do Nutricionista, uma data que vai além de homenagear uma profissão. É uma oportunidade para falar sobre alimentação, saúde e qualidade de vida e, principalmente, aproximar a população de um profissional que pode estar presente em diferentes momentos da vida.
Quando se fala em nutricionista, é comum pensar imediatamente em dieta, emagrecimento e restrições alimentares. Mas a atuação desse profissional é muito mais ampla. O nutricionista é um profissional que atua na promoção da saúde, na prevenção de doenças, na recuperação e na manutenção da qualidade de vida. O trabalho envolve compreender as necessidades de cada pessoa e ajudar a transformar informações sobre alimentação em escolhas possíveis para a rotina.
“O acompanhamento nutricional pode ajudar quem deseja melhorar seus hábitos alimentares, organizar a alimentação, praticar atividade física, prevenir problemas de saúde ou simplesmente compreender melhor suas próprias necessidades. A orientação não deve ser igual para todo mundo. Rotina, hábitos alimentares, preferências, cultura, condições de saúde, objetivos e realidade de cada pessoa precisam ser considerados”, explica a profissional, Juliana da Rocha Moreira, também coordenadora do curso de Nutrição da Estácio.
Alterações em exames, doenças, alergias, intolerâncias, mudanças importantes na rotina e dúvidas sobre alimentação ou uso de suplementos também podem ser situações em que a orientação de um nutricionista pode fazer diferença.
O profissional pode acompanhar diferentes fases da vida, como infância, adolescência, gestação e envelhecimento, além de atuar junto a pessoas que praticam atividade física ou que possuem necessidades alimentares específicas.
Mas afinal, o que é uma alimentação saudável?
Quando o assunto é alimentação saudável, muitas pessoas pensam em dietas restritivas, contagem de calorias ou na necessidade de eliminar determinados alimentos. Mas alimentação adequada e saudável é muito mais ampla. O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda que a alimentação tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados e que o consumo de alimentos processados seja limitado, evitando que os ultraprocessados sejam a base da alimentação.
“Frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, ovos, carnes, leite, raízes e outros alimentos in natura ou minimamente processados podem fazer parte de uma alimentação saudável. Também é importante variar os alimentos, planejar as refeições, preferir preparações caseiras quando possível e desenvolver habilidades culinárias. Vele frisar que nem todo alimento industrializado é ultraprocessados. Os alimentos passam por diferentes tipos e níveis de processamento, e entender essa diferença pode ajudar o consumidor a fazer escolhas mais conscientes”, acrescenta Juliana.
Ainda segundo ela, outro ponto importante é entender que alimentação saudável não envolve apenas calorias, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.
“Comer também envolve cultura, prazer, convivência, acesso aos alimentos, condições financeiras, tempo disponível e hábitos construídos ao longo da vida. É por isso que uma orientação nutricional precisa considerar a realidade de cada pessoa. Uma recomendação que não cabe na rotina, no orçamento ou nos hábitos de alguém dificilmente será sustentável a longo prazo”.
E as redes sociais no cenário da nutrição?
Se antes as informações sobre alimentação estavam principalmente em livros, revistas e programas de televisão, hoje elas chegam ao público em poucos segundos pelas redes sociais. Dietas da moda, promessas de emagrecimento rápido, alimentos considerados “milagrosos”, cortes radicais de determinados grupos alimentares e recomendações de suplementos aparecem diariamente.
Pessoas sem formação ou qualificação profissional na área da nutrição passaram a ocupar espaço nas redes sociais falando sobre alimentação e saúde e, muitas vezes, apresentando opiniões e experiências pessoais como se fossem orientações profissionais.
“É importante desenvolver um olhar crítico. Informações que prometem resultados rápidos e garantidos, apresentam um alimento como solução para todos os problemas ou recomendam dietas extremamente restritivas devem ser avaliadas com cautela, especialmente quando partem de pessoas que não possuem formação ou habilitação para orientar sobre alimentação e nutrição. Uma experiência pessoal pode ser compartilhada, mas não deve ser confundida com uma orientação nutricional individualizada ou com uma recomendação baseada em conhecimento técnico e científico. O que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra”, avalia Juliana.
Em meio a tantas informações, o nutricionista também exerce um papel importante: ajudar o indivíduo a separar informação de qualidade de recomendações genéricas e construir estratégias seguras que façam sentido para sua própria realidade.
Para quem deseja conhecer mais sobre alimentação adequada e saudável, uma das principais fontes de informação é o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde.
“O documento apresenta recomendações que vão além de dizer simplesmente o que comer. Ele aborda também como escolher, preparar e consumir os alimentos e considera aspectos culturais e sociais relacionados à alimentação. Buscar informação em fontes confiáveis é também uma forma de cuidar da saúde”, conclui Juliana.