A Prefeitura de Petrópolis negou as informações da vereadora Gilda Beatriz (PSD) que a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Retiro de que os banheiros não teriam acessibilidade. Segundo o município, um dos três banheiros foi “devidamente adaptado” para receber pessoas com deficiência. Porém, a foto enviada pela assessoria de comunicação para comprovar a suposta acessibilidade mostra divergências em relação ao que é previsto.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) determina na NBR 9050 algumas regras para banheiros acessíveis. Uma delas é que os espaços tenham condições de virar a cadeira. Gabriela Raia, graduada em Arquitetura e Urbanismo, ao analisar a foto, encontrou diversos pontos que divergem do previsto na norma.O vão da porta, por exemplo, deve ter 1 metro. Além disso, é preciso que, dentro do banheiro, haja um espaço para que a cadeira de rodas possa completar um giro total, de um raio de 1,2 metro.
“Outra questão que podemos analisar é sobre a posição das barras de auxílio, que são muito importantes para dar apoio a essas pessoas. Elas devem ser colocadas de forma estratégica para que o cadeirante consiga se apoiar nessas barras e consiga ser transferida da cadeira para o vaso sanitário”, explicou Raia.
Em um ponto, a Prefeitura acertou. A porta deve ter abertura para fora, para facilitar a locomoção. Para a arquiteta e urbanista, as pessoas portadoras de necessidades especiais precisam ser assistidas dentro das edificações, principalmente as públicas.
“Infelizmente, ainda hoje, encontramos construções que se dizem acessíveis, mas, na realidade, não seguem as dimensões corretas e ideias pela norma para atender a todo tipo de público”, disse.A vereadora Gilda Beatriz lembrou que fez duas fiscalizações na unidade. Em abril, encaminhou ofício para a Prefeitura cobrando esclarecimentos e providências. Já no dia 8 de agosto, as adaptações ainda não tinham sido feitas. A parlamentar pretende retornar a UBS para acompanhar a questão de perto.
“A NBR 9050 dispõe sobre inúmeros requisitos para as adaptações necessárias. Por isso, irei pessoalmente conferir a reforma da UBS e verificar se as normas de acessibilidade foram respeitadas”, disse.
Procurada novamente, a Prefeitura não respondeu até o fechamento desta edição.
Por Wellington Daniel/foto: PMP