A mobilidade urbana de Petrópolis é um grande desafio para a prefeitura e para os petropolitanos. Dados do Detran, apontam que o município tem 194.043 veículos e aliados com a falta de um transporte público de qualidade, a consequência são filas de carros e grandes congestionamentos pelas ruas da cidade. No entanto, a mobilidade urbana não é um problema exclusivo de Petrópolis, mas sim de todo o país.
Na cidade imperial, o transporte público vive uma crise. Duas empresas estão em regime de recuperação judicial e com dívidas milionárias. Além disso, a queda na arrecadação tarifária, tem acentuado a falta de investimento nos veículos. Atualmente, a tarifa de R$ 5,30, em Petrópolis, é cobrada injustamente para a maioria dos petropolitanos que reclamam do serviço. Para Kaíque Rodrigues, o transporte é muito ruim. “A passagem é muito cara para o serviço que é prestado. Esses dias peguei a linha 412 e o vidro estava caindo”, afirmou.
Contudo, a falta de qualidade no serviço de transporte público, não é o único problema da cidade. a falta de estacionamento, de calçadas e agentes de trânsito, agrava ainda mais a situação do município. A Companhia Petropolitana de Trânsito e Transporte possui apenas 15 agentes, para controlar o fluxo de veículos da cidade. no dia 18 de abril, a prefeitura anunciou que realizaria um concurso público para a CPTrans, mas cinco meses depois, ainda não foi realizado.
A Companhia de Trânsito e Transporte, é a responsável por fiscalizar e gerir ações de trânsito no município. Desde que assumiu a prefeitura, em janeiro de 2022, Rubens Bomtempo já nomeou três presidentes para o órgão, mas dois foram afastados por supostos esquemas de corrupção. O atual presidente da companhia, Thiago Damaceno, apesar de ter atuado como vereador e em outros cargos políticos, ainda não tinha atuado na pasta. o cenário se agravou, em maio deste ano, após o incêndio registrado na garagem das empresas Petro Ita e Cascatinha.
De acordo com o professor, Leandro Vaz, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, esse será a mobilidade será desafio do futuro para as cidades. “O maior impacto na mobilidade é o aumento de veículos de passeio e do transporte público que não atende a demanda. As empesas de ônibus visam o lucro então é muito complicado, por isso o subsídio precisa ser aprimorado. Não se sabe ao certo quais são os prejuízos das empresas e também a possibilidade de auxiliar às empresas. Para melhorar, é necessário investir e se possível até mesmo, o Estado assumir o transporte, mas é custoso e levaria tempo”, comenta.
O último plano de mobilidade urbana de Petrópolis foi elaborado em 2019 e incorporava a implementação de um veículo leve sobre trilhos (VLT), que circularia entre as regiões do Alto da Serra e centro. No entanto, o projeto não saiu do papel. Petrópolis ainda apresenta outros problemas, como a falta de ciclovias e de calçadas. De acordo com o plano, a cidade possui 960 quilômetros de calçadas e mil quilômetros de ruas. São 40 quilômetros sem um caminho seguro para o pedestre, o equivalente a um percurso do centro da cidade até a Posse. O plano define as ações que devem ser adotadas até 2030 para melhorar a mobilidade no município, mas pouco foi feito até agora.
Por Richard Stoltzenburg