A Secretaria Municipal de Educação de Petrópolis realiza, neste mês, a campanha “Viver é da Hora”. O projeto é uma iniciativa voltada ao Setembro Amarelo, de combate ao suicídio, e busca incentivar a adoção de estilo de vida saudável e de promoção de saúde mental. Um evento na próxima sexta-feira (29) vai promover talentos.
“A primeira edição da campanha Viver é da Hora aconteceu no ano passado no Parque Municipal em Itaipava. Contamos com a participação dos nossos alunos e alunas que apresentaram trabalhos e participaram de atividades culturais e esportivas. É muito importante falarmos sobre esse tema nas salas de aula e envolver os estudantes”, comentou a secretária de Educação, Adriana de Paula.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, a estimativa é de 14 mil casos de suicídio por ano, uma média de 38 pessoas por dia. Na última década, o país registrou em torno de 112 mil mortes suicidas.
“O ‘Setembro Amarelo’ deve servir para chamar atenção e esclarecer as questões ligadas às reações depressivas presentes em todas as faixas etárias e sociais da população. Alertando que depressão não é fraqueza ou frescura, é um estado de sofrimento que requer acolhimento e intervenção”, afirma a psicóloga Ana Wilbert.
Riscos
De acordo com a psicóloga, os motivos que podem levar ao suicídio devem ser analisados individualmente, segundo a história de cada indivíduo. A depressão, como estado mórbido, tem uma íntima relação com a retirada da própria vida.
Segundo o Ministério da Saúde, 96,8% dos casos de suicídio são relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar, está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias. É uma das três principais causas de morte em indivíduos entre 15 e 29 anos.
“Lembrando sempre que a tipologia depressiva é variada e pode ser um sintoma/sinal ligado a respostas individuais a várias situações onde o sujeito se encontra abatido por circunstâncias múltiplas”, explicou.
Um dos pontos trazidos pela psicóloga é que os estados depressivos em geral precisam de cuidado especializado e acolhimento. “Os estados depressivos em geral, requerem atenção que envolve, em sua maioria, cuidados psiquiátricos, psicoterápicos e acolhimento e entendimento por parte dos familiares e da sociedade”, disse.
O suicídio é uma passagem a um ato extremo, quando se excluem recursos psíquicos que estão ligados a pulsões da vida. “As mudanças de comportamento, abatimento, isolamento, desinteresse de forma geral, devem alertar para uma observação atenta”, alerta Wilbert.
Ações do poder público
Um dos locais de acolhimento para pessoas em risco para o suicídio são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). “A manutenção e o bom funcionamento de órgãos como os CAPS são de grande importância”, diz a psicóloga.
Em Petrópolis, a Prefeitura também diz que mantém o Núcleo de Psicologia Escolar na Secretaria de Educação, que, inclusive é responsável pela campanha Viver é da Hora. Outro projeto é o “Fala que eu te escuto”, que promove rodas de conversas com escuta ativa e qualificada dos jovens.
Onde buscar ajuda:
(Fonte: Ministério da Saúde)
- CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
- UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
- Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita) ou http://www.cvv.org.br/
Por Wellington Daniel/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil